Centenas de manifestantes da Greenpeace apelam a tratado que reduza a produção de plástico

Centenas de ativistas e apoiantes da organização ambientalista Greenpeace concentraram-se ontem em frente à sede europeia da Nações Unidas (ONU), em Genebra, na Suíça, para apelar a um tratado que reduza a produção de plástico.

Green Savers com Lusa

Centenas de ativistas e apoiantes da organização ambientalista Greenpeace concentraram-se ontem em frente à sede europeia da Nações Unidas (ONU), em Genebra, na Suíça, para apelar a um tratado que reduza a produção de plástico.

“A Greenpeace tem como objetivo uma redução de pelo menos 75% na produção de plástico até 2040”, disse à agência de notícias espanhola EFE o diretor da organização em Genebra, Graham Forbes, um dia antes de os representantes dos Estados-membros das Nações Unidas iniciarem negociações, a decorrerem até dia 14, para as esperadas negociações finais do tratado mundial sobre plásticos.

O diretor da Greenpeace indicou que o tratado deve significar, entre outras coisas, o fim da existência de objetos de plástico de utilização única.

Na concentração, hoje, que pretendia aumentar a pressão sobre a negociação, estavam presentes manifestantes com ‘t-shirts’ vermelhas e cor de laranja, gritando palavras de ordem como “Reduzam a produção de plástico”.

Graham Forbes alertou ainda que “a poluição de plástico está a provocar alterações climáticas, perda de biodiversidade e a poluir todos os cantos do planeta”.

Apesar das últimas cinco negociações terem sido dominadas pela oposição a um acordo por parte dos países produtores de petróleo (apoiados por grandes economias como a China e a Índia), Graham Forbes sublinhou que a Greenpeace continua otimista.

“Precisamos de intensificar os nossos esforços e criar um tratado que reduza a quantidade de plástico que produzimos, proíba os produtos químicos tóxicos e crie um planeta mais saudável e seguro para todos”, afirmou à EFE.

Delegações de 170 países da ONU reúnem-se de 05 a 14 de agosto, em Genebra (Suíça), para tentarem alcançar um acordo global vinculativo para travar a produção de plásticos e proteger a saúde humana e ambiental.

As negociações, nas quais também participará uma delegação portuguesa, iniciam-se com um impasse entre o acordo ficar limitado à gestão de resíduos plásticos ou vir a adotar metas concretas e obrigatórias de redução da sua produção até 2040, segundo fontes ouvidas pela Lusa.

Após décadas de utilização excessiva, a que acresceu um aumento dos plásticos de curta duração e de utilização única, chegou-se “a uma catástrofe ambiental global”, alertam as Nações Unidas.

“Cerca de 12 milhões de toneladas de plásticos estão a ser arrastadas anualmente para os oceanos, as chamadas ‘ilhas de plástico’ estão a florescer”, matando 100 mil animais marinhos todos os anos, especificam os dados da ONU.

Um grupo de especialistas alertou hoje, através de um estudo publicado na revista científica The Lancet, que a poluição por plásticos é um flagelo que causa doenças e mortes, uma verdadeira ameaça à saúde insuficientemente reconhecida.

Nesse artigo, os cientistas denotam que a poluição por plásticos afeta sobretudo a população com rendimentos mais baixos, incide sobre todas as faixas etárias, e lembram ainda que os plásticos são responsáveis por perdas económicas relacionadas com a saúde que ultrapassam os 1,5 biliões de dólares anuais.

A maioria dos plásticos permanece intacta durante décadas após a sua utilização, os que se desgastam acabam por se transformar em microplásticos, consumidos por peixes e outros animais marinhos, entrando rapidamente na cadeia alimentar global.

Segundo a ONU, 17 milhões de barris de petróleo são usados para a produção de plástico todos os anos.

Por ano, são usados 500 mil milhões de sacos de plástico enquanto, por minuto, um milhão de garrafas de plástico são compradas.

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