Cogumelo carnívoro usa “gás nervoso em forma de chupa-chupa” para paralisar e matar presas



O mundo animal está repleto de técnicas de guerra dignas de filmes de Hollywood que nos transportam para mundo alienígenas. Algumas delas, recorrem a agentes químicos para matar presas, como é o caso das cobras ou das aranhas, que têm no veneno uma das suas principais armas de caça. Mas não são as únicas.

Um artigo divulgado na ‘Science Advances’ mostra que os cogumelos da espécie Pleurotus ostreatus, também conhecimento popularmente como cogumelo-ostra, têm no seu arsenal uma toxina ainda desconhecida que usam para paralisar e matar a sua presa predileta: nemátodos, pequenos vermes que habitam nos solos.

Cientistas de Taiwan e do Japão descobriram que essa espécie de fungo tem nas suas hifas, pequenos filamentos que se assemelham a raízes, estruturas esféricas repletas de um composto que é tóxico para os nemátodos, que os especialistas dizem ser uma cetona volátil.

Esta técnica de caça distingue o P. ostreatus de outros fungos, pois ao invés de capturar as suas presas através de mecanismos físicos, como redes pegajosas que se assemelham às teias de várias espécies de aranhas, este cogumelo usa uma toxina que paralisam, em meros minutos, os vermes quando tocam nessas ‘bolsas venenosas’, ou toxocistos, resultando numa reação em cadeia que termina com a morte do nemátodo.

Ilustração de nemátodo a tocar nos toxocistos do cogumelo Pleurotus ostreatus e a ser ‘infetado’ pelas toxinas.
Fonte: artigo

É por causa da forma dessas bolsas, bem como do efeito da toxina, que os cientistas dizem que o P. ostreatus desenvolveu um “gás nervoso em forma de chupa-chupa”.

Pequenas ‘bolsas tóxicas’ (toxocistos) nas hifas do Pleurotus ostreatus.
Fonte: Autores do artigo

A toxina provoca a morte das células do nemátodo (chamada necrose celular), afetando os seus sistemas nervoso e muscular através de uma sobredosagem de cálcio, afirmam os investigadores, que dizem que estudos anteriores já tentaram desvendar a composição do ‘veneno’ usado pelo P. ostreatus, mas que nenhum foi capaz de explicar a rapidez com que se instala a paralisia e a necrose nos nemátodos. Por isso, argumentam que esse composto continua por identificar.

Estes cogumelos carnívoros vivem habitualmente em madeira morta ou em decomposição, ambientes que tendem a ser pobres em nitrogénio, pelo que ao caçarem e se alimentarem de nemátodos estarão a compensar a falta dessa substância, argumentam os cientistas, um adaptação evolutiva de sobrevivência.

Além disso, os toxocistos podem também ser uma defesa contra nemátodos que se alimentam de frutos e que podem também predar sobre os cogulemos, usando estruturam em forma de agulha para penetram nas hifas do fungo e sugar o seu citoplasma.

Dada a sua eficácia contra os nemátodos, os autores acreditam que o composto tóxico possa vir a ser usado como “um agente de biocontrolo eficaz contra nemátodos parasíticos na agricultura”, sendo que essa prática recorre já a produtos cuja principal substância deriva mesmo de toxinas produzidas pelos fungos.



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