Comércio de animais exóticos ameaça com extinção aranhas e escorpiões em todo o mundo



As estimativas apontam que, entre 2000 e 2021, cerca de 1.200 espécies de aracnídeos, classe na qual se incluem as aranhas e os escorpiões, foram compradas e vendidas online em todo o mundo, sendo que de ano para ano o número aumentou.

A conclusão foi revelada num artigo publicado em maio passado na revista ‘Communications Biology’, alertando que perto de 80% dessas espécies não estariam a ser devidamente monitorizadas pelas autoridades competentes, colocando esses animais em risco.

Todos os anos, milhões de animais são comercializados ao redor do mundo para responder à procura por animais de estimação exóticos, de acordo com comunicado divulgado pelo Museu de História Natural de Londres, um mercado que, fruto sobretudo do desenvolvimento das tecnologias de comunicação, está em expansão.

“Os invertebrados terrestres representam um componente-chave do comércio de ‘animais de estimação exóticos’”, alertam os autores do estudo, lamentando que, apesar de se saber que o comércio internacional, legal e ilegal, pode “impactar centenas de espécies de invertebrados”, não têm sido feitas as avaliações necessárias para perceber realmente quais serão essas consequências.

A Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Selvagem, a CITES, é uma das entidades que monitoriza o comércio dos aracnídeos, entre muitos outros grupos de animais e plantas. Além da CITES, que estabelece proibições ao comércio de espécies selvagens, também as autoridades nacionais têm capacidade para impedir a importação e exportação desses seres.

“Embora o comércio de vida selvagem seja hoje reconhecido como uma das maiores causas da perda da biodiversidade a nível global, o potencial do comércio para ameaçar a sobrevivência de várias espécies de invertebrados terrestres tem sido amplamente ignorado, até mesmo por estruturas regulatórias como a CITES”, escrevem os especialistas.

Os cientistas envolvidos na investigação, da Tailândia, da Finlândia, de Hong Kong e da China, adiantam que entre os aracnídeos comercializados a nível internacional estão espécies classificadas como estando “ameaçadas” ou “criticamente ameaçadas”, pelo que podem enfrentar o risco de extinção à medida que cresce o apetite por animais de estimação exóticos.

“Estas espécies estão, sem dúvida, vulneráveis ao comércio insustentável”, explicam os autores, que salientam que é preciso implementar medidas ao nível dos países de origem do comércio de espécies exóticas, designadamente de aranhas e escorpiões, para combater práticas comerciais insustentáveis e que ameacem a sobrevivência dessas espécies.

Os cientistas destacam que os invertebrados estão particularmente vulneráveis. Apesar de existirem mais de 50 mil espécies de aranhas conhecidas hoje, apenas quatro constam dos apêndices da CITES, que regulam o seu comércio internacional.

Entre 2000 e 2021, aproximadamente dois terços dos aracnídeos comercializados foram capturados na natureza, ou seja, não tiveram origem em criações em cativeiro, e mais de 77% eram escorpiões da espécie Pandinus imperator.

Os cientistas alertam que várias espécies de aracnídeos que ainda não são conhecidas da ciência podem mesmo desaparecer antes de poderem ser identificadas, devido à intensificação do comércio internacional de animais exóticos.





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