Como as aves migradoras se podem adaptar aos efeitos das alterações climáticas



O fenómeno das alterações climáticas, de génese antrópica, está a provocar alterações nos padrões ambientais de várias regiões do planeta, umas mais marcadas dos que outras.

No caso das aves migradoras, que passam o inverno num local e nidificam noutro, a disrupção das estações do ano, como as conhecemos, pode colocar em risco a sobrevivência das suas populações. Com a primavera a chegar mais cedo, os picos de abundância de alimento podem estar a antecipar-se às migrações de algumas espécies de aves, pelo que, quando chegam aos seus destinos estivais, esses animais deparam-se com fontes de alimento escassas, o que pode comprometer o sucesso da reprodução e a sobrevivência das novas gerações.

Investigadores dos Países Baixos e da Suécia quiseram perceber se é possível ajudar as aves migradoras a adaptarem-se a estas mudanças e, assim, a sobreviverem num planeta em plena transformação ambiental e climática.

Papa-moscas-preto fêmea.
Foto: Luiz Lapa / Wikimedia Commons (licença CC BY 2.0)

Jan-Åke Nilsson, da Universidade de Lund e um dos autores do artigo divulgado recentemente na ‘Nature Ecology & Evolution’, aponta que as espécies que não migram estão, de alguma forma, a conseguir ajustar os seus comportamentos e hábitos de vida à chegada antecipada da primavera. Como não migram, são capazes de perceber que a temperatura está a aumentar e, assim, antecipam também os seus ciclos.

Mas as aves migradoras, noutra parte do planeta, não têm como saber que nos seus locais de nidificação a primavera chegou mais cedo do que é habitual. Quando, por fim, lá chegam, o pico da abundância de alimento pode já ter passado.

Por isso, Nilsson considera que se essas aves voarem até regiões um pouco mais a norte dos locais que costumam visitar, a uns dias adicionais de voo, podem encontrar comida em quantidade suficiente para satisfazerem as suas necessidades.

Para testarem essa hipótese, os investigadores capturaram nos Países Baixos fêmeas e ovos de papa-moscas-pretos (Ficedula hypoleuca) e transportaram-nos para a Suécia, onde o pico da abundância de lagartas, uma das presas prediletas dessa espécie de aves, acontece cerca de duas semanas depois.

Verificou-se que as fêmeas transferidas, bem como as suas crias, conseguiram adaptar-se bem ao novo ambiente e tiveram mais sucesso do que os papa-moscas-pretos suecos e os que permanecerem nos Países Baixos.

E tudo indica que as fêmeas que foram transportadas dos Países Baixos para a Suécia passaram às suas crias o ensinamento de que o novo local era a melhor aposta, uma vez que, depois de terem passado o inverno nas terras mais quentes de África, as jovens aves, na sua primeira migração primaveril, nem sequer pararam nos Países Baixos, mas foram diretamente para a Suécia, onde nasceram. E chegaram mesmo antes dos papa-moscas que já nidificavam na Suécia, pelo que as progenitoras puderam dar às crias um avanço considerável face às demais.

“O número de pequenas aves, particularmente de aves migradoras, tem diminuído drasticamente por toda a Europa”, lamenta Nilsson. Como tal, argumenta que “ao voarem um pouco mais para norte, estas aves, pelo menos teoricamente, podem sincronizar com as suas fontes de alimento e há esperança de que populações robustas de pequenas aves possam ser mantidas, mesmo que a primavera chegue cada vez mais cedo”.





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