COP15 termina com China a mostrar empenho na proteção da natureza



A primeira parte da Conferência da ONU sobre Biodiversidade, realizada maioritariamente online, mas com sede oficial na China, terminou hoje com o país a prometer empenho na proteção da natureza e a assumir compromissos em matéria de financiamento.

A Conferência, denominada COP15, que continua presencialmente em abril e maio do próximo ano na cidade chinesa de Kunming, deve aprovar um quadro global de salvaguarda dos ecossistemas (que fornecem água potável, oxigénio, alimentos e matérias-primas) até 2030, com o objetivo, segundo a ONU, de viver em harmonia com a natureza até 2050. A proteção da natureza tem sido negligenciada, mas começa a fazer parte da agenda política internacional, ainda que menos do que as alterações climáticas.

“São precisas ações imediatas para proteger melhor a natureza e nisso coincidimos aqui”, disse em conferência de imprensa Elizabeth Maruma Mrena, secretária executiva da Convenção sobre a Diversidade Biológica.

A responsável disse que foram alcançados consensos, mas que é preciso continuar a avançar com as negociações para estabelecer um marco comum para reverter a perda de biodiversidade.

“Precisamos de mais planos com a participação de todos os setores e atores possíveis. Isso, e mobilizar recursos, é o mais difícil”, acrescentou.

O ministro da Ecologia e Meio Ambiente da China, Huang Runqiu, concordou com a necessidade de “transformar as ideias em ações” e em “impulsionar negociações e diálogo para maximizar consensos” para a segunda parte da reunião, dividida em duas fases devido à pandemia de covid-19. A segunda parte decorre entre 25 de abril e 08 de maio de 2022.

Na quarta-feira, a COP15 adotou a Declaração de Kunming, apoiada pela China e que defende o conceito de “civilização ecológica”. A declaração reflete parcialmente os objetivos do texto que será negociado pelas delegações dos 196 membros da Convenção sobre a Diversidade Biológica, primeiro em janeiro em Genebra e depois na reunião final de Kunming na primavera.

Na Declaração de Kunming os participantes comprometem-se em “reforçar as leis ambientais nacionais e a sua aplicação para proteger a biodiversidade” e em reformar ou eliminar “subsídios e outros incentivos (para financiar ações) que sejam prejudiciais à biodiversidade”.

A Declaração também promete “aumentar as ações para reduzir os impactos negativos das atividades humanas no oceano”, “aumentar a implementação de uma estratégia amiga dos ecossistemas para enfrentar a perda de biodiversidade”, bem como “restaurar ecossistemas degradados” desde que tais métodos não contrariem “ações prioritárias para reduzir urgentemente as emissões de gases com efeito de estufa”.

Na reunião que hoje terminou alguns países comprometeram-se em dar mais dinheiro para financiar a biodiversidade mundial. São necessários entre 623 e 834 mil milhões de euros por ano até 2030 mas só estão consagrados entre 107 e 123 mil milhões, segundo a Agência Francesa para o Desenvolvimento, citada pela agência AFP.

A China vai criar um novo fundo, com 200 milhões de euros, para proteger a biodiversidade nos países em desenvolvimento, e o Japão acrescentará 110 milhões ao seu fundo.



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