Conferência GPA: por que o consumo deve ser consciente?

Empresas, governos, cidadãos e todos os agentes da cadeia de valor de um produto ou serviço devem estar conscientes que os recursos naturais são finitos – e mais finitos do que se pensa – pelo que é imperativo repensar o consumo e a forma como consumimos. “É preciso repensar o nosso papel na sociedade, perceber se somos cidadãos ou meros consumidores. É preciso viver com menos mas de forma mais sustentável”, referiu João Matos Fernandes, Ministro do Ambiente, na segunda conferência do Green Project Awards, realizada hoje em Lisboa.

O debate, que contou com a participação de especialistas de vários sectores de actividade, pretendeu despertar consciências para a forma como consumimos e para o seu impacto, alertando que as práticas de consumo individuais têm repercussão colectiva, ou seja, na sociedade onde se insere o consumidor.

Torna-se assim crucial consciencializar consumidores, empresas, toda a cadeia de valor para a necessidade de um consumo consciente e assentes em princípios da sustentabilidade. Para tal a educação, formação e sensibilização do consumidor, desde tenra idade e ao longo da vida, aliadas à adopção de políticas públicas adaptadas às práticas de consumo e realidades de produção locais serem factores determinantes para a existência crescente de um consumo que se quer consciente.

Elementos sublinhados por Matos Fernandes, que mencionou no seu discurso a importância de uma forte aposta na educação e na inovação. Nas palavras do ministro, a educação para o consumo consciente “deve começar desde cedo para que as crianças possam adquirir conhecimento, competências e valores que lhes permitam mudar comportamentos”.

E também como parte integrante desta tomada de consciência colectiva devem estar o entendimento e reconhecimento dos resíduos enquanto geradores de valor, a existência no mercado de produtos sustentáveis, os quais têm de ser percepcionados pelo consumidor como tal. E, neste sentido, as empresas devem apostar continuamente na comunicação dos benefícios desses produtos não só para o consumidor enquanto indivíduo mas na óptica do consumidor enquanto um dos agentes da cadeia de valor de um produto.

A revogar este aspecto, Helio Mattar, presidente do Instituto Akatu, refere que “um consumidor mais consciente tem consciência que os seus comportamentos de compra vão ter um impacto colectivo e a longo prazo, enquanto um consumidor menos consciente pensa apenas no impacto individual e a curto prazo da sua compra ou consumo”, e exemplifica “este consumidor menos consciente só apaga a luz porque sabe que vai pagar menos no final do mês.”

Assim, é preciso que o consumidor esteja sensível ao poder transformador do acto do consumo e ao ter esta consciência valorizará as iniciativas que empresas e marcas desenvolvam em prol do consumo sustentável e da conscientização da sustentabilidade.

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