Construção em madeira é a nova tendência dos arranha-céus (com FOTOS)

O futuro constrói-se com arranha-céus de madeira

Se está a pensar no título desta notícia, então fique com a seguinte informação: quando o engenheiro William Le Baron Jenney desenhou o primeiro arranha-céus do mundo, em 1884, em Chicago, a obra foi vista com desconfiança e chegou a ser embargada pelas autoridades camarárias, para uma demorada inspecção de segurança.

O resto da história já se sabe: os arranha-céus tornaram-se cada vez mais comuns e são hoje um símbolo de poder das cidades. Em 2106, a China terá 800 arranha-céus de 150 metros ou mais. Toronto, no Canadá, tem 130 arranha-céus em construção, e o fenómeno é cada vez mais comum, mesmo em cidades médias.

O resultado é assustador para o ambiente. No Reino Unido, 47% dos gases com efeito de estufa são gerados pelos edifícios, enquanto 10% das emissões de CO2 provêm dos materiais de construção.

Há muito que o sector da construção sabe que os dias de construir arranha-céus insustentáveis está a acabar, por isso a chegada de um novo material, mais sustentável, a este sector é bem-vinda: a madeira.

Ainda que a madeira na sua forma habitual não compita com o aço, uma super-madeira compensada poderá descodificar o imbróglio. Um dos defensores desta solução é o arquitecto Michael Green, de Vancouver, Canadá, que está a projectar um edifício de 30 andares, na baixa da cidade, com este material.

Se o projecto for avante, ele será o maior edifício em madeira do mundo, ultrapassando o Stadhaus londrino, com nove andares, e o Forte Building, em Melbourne, Austrália, que tem dez.

“Não nos preocupamos se será ou não o maior edifício em madeira do mundo”, explicou ao Guardian Carla Smith, sócia de Michael Green no ateliê MGA. “Acreditamos no futuro da madeira para as cidades e queremos que outros também acreditem”.

Para tal, Green colocou online, gratuitamente, o seu manual de instruções – The Case for Tall Wood Buildings. Ele espera que o manual inspire os engenheiros e arquitectos a projectarem edifícios em madeira, apostando num material que sequestra dióxido de carbono da atmosfera: enquanto um edifício de 20 andares em madeira sequestra 3.100 toneladas de carbono, um edifício em cimento do mesmo tamanho emite 1.200 toneladas. Essas 4.300 toneladas de diferença são equivalentes a retirar 900 carros de circulação por ano.

E nem o fogo é um problema. Ao invés do que acontecia no século XIX, onde incêndios devastaram cidades de madeira como Chicago, Londres ou São Francisco, a madeira modificada de hoje tem uma camada protectora que mantém a integridade da estrutura – ao contrário do aço, que colapsa sob calor intenso.

A madeira está a ser utilizada como material principal da reconstrução de Christchurch, Nova Zelândia, abalada por dois grandes sismos, em 2010 e 2011. Na China, há centenas de engenheiros que estão a ser ensinados sobre os benefícios da madeira, pelo que os arranha-céus neste material não deverão demorar muito a chegar. E a Portugal, quando chegarão?

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