Por Helen Devanny, Vice-Presidente, Sage Foundation
Para quem trabalha em impacto social, estamos num período crucial e entusiasmante das nossas carreiras. Estamos a cinco anos de 2030: o prazo definido pela ONU para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Já se falou o suficiente sobre qual foi o progresso global (insuficiente) até agora alcançado, e sobre o que precisamos de fazer para acelerar o ritmo. No entanto, pouca atenção foi prestada até aqui ao como vamos lá chegar, o que é igualmente importante.
Nos próximos cinco anos, eis o que espero que todos os que trabalham para criar impacto social tenham em consideração, para nos dar uma hipótese real de atingir os nossos objetivos coletivos para 2030.
Mostrar trabalho – Colaboração pode soar como mais uma buzzword corporativa, mas é fundamental para a nossa área. Algumas empresas podem estar inclinadas a guardar o seu impacto em vez de o disponibilizar para que outros o repliquem ou se juntem, mas o impacto social é uma das únicas áreas de negócio onde é do interesse de todos que não haja concorrência.
Um dos meus exemplos favoritos de colaboração recentemente veio do trabalho da Sage Foundation na África do Sul. Fizemos uma parceria com a Attacq Foundation, o braço social da empresa imobiliária que fornece as nossas instalações na região. Unimo-nos para apoiar uma escola local, com cada fundação a contribuir com aquilo para que estava mais bem posicionada. A Sage forneceu equipamento técnico como quadros digitais, e a Attacq renovou as instalações das salas de aula. Juntas, entregámos um espaço de aprendizagem modernizado e tecnologicamente avançado para jovens sul-africanos, que teria demorado muito mais tempo a ser feito se fosse apenas por uma de nós.
A nossa equipa também participa regularmente e intervém em eventos do setor sobre impacto social, partilhando o que estamos a fazer, incluindo lições aprendidas e desafios superados, para que possamos todos aprender uns com os outros e avançar como um coletivo.
Concentrar o foco – O impacto social está cheio de pessoas ambiciosas que querem mudar o mundo com o prazo “para ontem”. O impulso de querer fazer tudo, por vezes chamado de “colecionar causas”, é bastante comum. Embora a ambição seja louvável, isto também pode ser o nosso ponto fraco. Como aprendi, quanto mais concentrarem os esforços, maior será o impacto.
Quando começámos a Sage Foundation, procurávamos ter impacto onde fosse possível, fosse a limpar praias em Newcastle, no Reino Unido, ou a orientar jovens em competências tecnológicas em Joanesburgo, na África do Sul. Mas, hoje, aproximámos muito mais a estratégia da Sage Foundation da estratégia empresarial. Perguntámo-nos: onde podemos ter mais impacto e onde estamos unicamente posicionados para o fazer?
Foi assim que nasceu a nossa abordagem de dois eixos de apoiar empreendedores mais necessitados e educar os empreendedores do futuro Estas são duas áreas intimamente ligadas ao foco da Sage em tecnologia de nova geração e nas PME. Sem esta evolução na nossa estratégia, teríamos ficado demasiado dispersos, e o mesmo aconteceria ao nosso impacto rumo aos objetivos de 2030.
Medir o que for possível – Num estudo recente, 47% dos profissionais de impacto social afirmaram que as iniciativas de responsabilidade social das suas empresas criam um impacto positivo, mas o mesmo número disse que esses projetos podem ser difíceis de avançar devido à baixa perceção de valor. Claramente, não medir o impacto já não é uma opção se se quiser obter o apoio da organização, especialmente numa paisagem cada vez mais complexa.
Medir o impacto social ainda é uma prática relativamente nova e todos parecem fazê-lo de forma diferente. Fazer parcerias com organizações como a Business for Social Impact (B4SI) pode ajudar-nos a padronizar e a mostrar o impacto real que estamos a ter. Sejam qual forem as estruturas que criemos, elas devem ter em conta as necessidades, objetivos e limitações das organizações sem fins lucrativos. Não podemos criar um sistema que imponha um fardo excessivo de relatórios sobre elas ou que meça as coisas erradas, muito menos que limite a sua criatividade e inovação.
Pensar para além de 2030 – Isto pode soar contraintuitivo num artigo sobre como alcançar os objetivos de 2030, mas a verdade é que olhar para 2030 será um pouco como focar-se na véspera de Ano Novo. O mundo será o mesmo no dia 1 de janeiro que era a 31 de dezembro, e assim será também em 2031. Não é para diminuir a urgência que todos devemos ter em alcançar os objetivos de 2030, mas para sublinhar que o impacto é um jogo a longo prazo e que o trabalho nunca está realmente terminado. Portanto, não devemos parar em 2030. Devemos ter um plano para resolver o problema em que estamos unicamente posicionados para resolver também em 2031.
Liderar com otimismo – Nem sempre é fácil fazê-lo num mundo de cortes globais nos programas de desenvolvimento e de desafios sociais crescentes, mas o meu próprio lema (muitas vezes atribuído a John Lennon) é “No fim, tudo ficará bem. Se não está bem, é porque ainda não é o fim”. No coração disto está a crença de que a humanidade tem a vontade e a capacidade de criar mudanças, para indivíduos, para comunidades e para as gerações futuras. Há muitos líderes ágeis, criativos e orientados para um propósito no nosso setor a trabalhar por um mundo melhor, e devemos a eles, e à mudança que procuram criar, manter os olhos no objetivo e não deixar que o desespero e a apatia vençam.









