Contestação à GALP une artistas de vários países em festival de música online

Na próxima sexta-feira, dia 24 de Abril, durante a Assembleia Geral de Accionistas da GALP, será possível assistir em directo a 3 horas de concertos e conversas no instagram da Greve Climática Estudantil e da 2degrees artivism.

Os activistas acusam a Galp de “extractivismo ambiental e social”, de ser o principal actor na crise climática em Portugal, e também de uma nova forma de colonialismo ao explorar combustíveis fósseis nos países que anteriormente foram colonizados por Portugal.

O festival GALP Must Fall Live faz parte de um protesto que reivindica o desmantelamento da Galp, uma transição energética que seja justa para os trabalhadores afectados, reparações para as comunidades e ecossistemas afectados e energia pública para todas as pessoas, 100% renovável e gerida de forma democrática, pode ler-se no website da iniciativa, onde estão anunciadas as actividades previstas para dia 24 deste mês.

Este evento conta com artistas emergentes como Bergalgo (Portugal), TRKZ (Moçambique), Nitry (Cabo Verde) e Djucu Dabó (Guiné-Bissau).

“O protesto inclui várias vertentes, online e offline. Estaremos presentes na AGA para fazer perguntas a este órgão decisor da Galp, teremos um festival artivista com actuações de artistas de vários dos países onde a Galp está presente e acções online em massa, nomeadamente através do website manif.app, que permite manifestações nas ruas digitais”, refere o activista João Reis, do colectivo Climáximo.

“Num momento em que precisamos de reduzir emissões globais em 50% nos próximos 10 anos, a GALP propõe-se a duplicar a produção de energia a partir de combustíveis fósseis. É nosso dever contestarmos este caminho. Que melhor forma se não através da cultura? Como a GALP se dedica ao greenwashing através da música, achámos que fazia sentido contestarmos também nesse campo, mostrando que existem alternativas e que não os deixaremos continuar o caminho de destruição social e ambiental que estão a traçar” refere a activista Ana Rodrigues, do colectivo 2degrees artivism.

Andreia Ferreira, da organização da acção, afirma que “a Galp tem de cair porque a sua actividade é criminosa, contra o clima e contra as pessoas, e porque detém um poder político quase inquestionável. Não é só a Galp que tem de cair, é toda a economia fóssil e o sistema que coloca o lucro acima das vidas das pessoas e do futuro da Humanidade.”

“Os lucros astronómicos que a Galp pretende distribuir aos seus accionistas devem ser canalizados para assegurar uma transição justa para os trabalhadores das refinarias de Sines e Matosinhos, que terá de deixar de laborar na área dos combustíveis fósseis, e para compensações às comunidades internacionais que mais sofrem com o extractivismo neocolonialista da Galp, nomeadamente com as famílias moçambicanas expulsas das suas terras”, remata.

Natanael Salvan, do Climate Save Portugal, frisa “hoje, neste exacto dia, morrem milhares de pessoas devido as políticas adoptadas por empresas como a Galp, que usam o extractivismo dos combustíveis fósseis para aumentar os seus lucros. Esta devastação dos nossos recursos naturais e consequentemente os impactos causados ao ecossistema já são visíveis para todos, pois já vemos hoje o que estas mesmas empresas já sabiam, escondiam e fizeram lobby para continuar por décadas.

Não temos mais tempo e no estado da crise mundial em que estamos devido à pandemia, é inaceitável que os governos continuem a dar vantagens e até continuar a deixar que estas empresas permaneçam activas.”

A acção é co-organizada pelos colectivos Climáximo, Climate Save Portugal e 2degrees artivism e apoiada pelos colectivos JA! Justiça Ambiental (Moçambique), Linha Vermelha, Academia Cidadã, Greve Climática Estudantil, Movimento do Centro contra a Exploração de Gás, Extinction Rebellion Coimbra, e A Coletiva.

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