Contribuição dos cidadãos essencial no estudo e deteção de espécies invasoras

Um estudo publicado por três investigadores do Centro de Ciências do Mar (CCMAR), associado à Universidade do Algarve, revela como a contribuição dos cidadãos tem sido essencial e parceira da ciência no estudo e deteção de espécies invasoras.

O estudo, publicado na revista ‘Frontiers in Environmental Science’, mostra que a ciência pode progredir mais rapidamente e agir a tempo com o apoio da ‘ciência cidadã’, que tem ajudado investigadores a “identificar, localizar e até mesmo erradicar ou controlar a expansão de muitas invasões biológicas”, disse à Lusa João Encarnação, que realizou o trabalho em conjunto com Alexandra Teodósio e Pedro Morais.

As invasões biológicas são uma das muitas consequências da globalização e dos impactos da atividade humana no ambiente e a deteção antecipada e erradicação de espécies invasoras é crucial para evitar impactos ecológicos e económicos significativos.

Os investigadores do CCMAR analisaram 126 artigos científicos a nível mundial que utilizaram metodologias ou dados relacionados com a ciência cidadã aplicada às invasões biológicas e trataram de perceber o impacto dessa contribuição e identificar os métodos e estratégias mais eficazes e que tiveram melhores resultados, apontou João Encarnação.

Diversificar a forma como se “chega aos cidadãos”, para além das “redes sociais”, com a realização de “questionários ou ações de campo para identificação ou remoção de espécies invasoras”, envolver “associações locais ou não governamentais” são algumas das conclusões extraídas da análise, que evidenciou ser igualmente importante estabelecer redes de comunicação para “melhorar a gestão de informação”.

O investigador dá como exemplo a sua experiência no projeto de investigação NEMA – Novas Espécies Marinhas do Algarve, onde o envolvimento de restaurantes ou centros de mergulho e a contribuição direta dos cidadãos tem sido “essencial” na deteção do caranguejo azul ‘Callinectes sapidus’, originário da costa leste dos Estados Unidos.

“Antes do início do projeto tínhamos conhecimento que existiam no Rio Guadiana e na Ria Formosa e com a contribuição dos cidadãos conseguimos saber que já se encontra até Sagres”, disse João Encarnação.

Face ao “reduzido número de cientistas e pouco financiamento”, João Encarnação considerou “essencial haver uma rede de pessoas que estejam ao corrente das pesquisas e do que os investigadores procuram, podendo contribuir para o estudo”.

“Quando se deparam com algumas dessas espécies sabem para onde e o que têm de reportar e contribuir para o conhecimento científico sobre essas espécies”, realçou.

No caso do NEMA, no primeiro ano de implementação (2019) a adesão dos cidadãos surpreendeu os investigadores que receberam “contribuições elevadas”, revelando uma vontade das pessoas em participar neste tipo ações, apontou.

Para quem investiga, esta é também uma oportunidade para “passar a ideia do que cada um pode fazer para reduzir o impacto de algumas dessas espécies, percebendo como podem ajudar, algo a que as pessoas estão recetivas”, concluiu.

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