No ano passado, as fontes solar e eólica produziram ligeiramente mais eletricidade na União Europeia (UE) do que os combustíveis fósseis pela primeira vez.
De acordo com o relatório divulgado esta quinta-feira pelo grupo de reflexão Ember, a energia gerada pela radiação solar e pela força do vento produziram 30% da eletricidade total no bloco, à frente dos 29% atribuídos ao carvão e ao gás.

Apesar a diferença ser somente de um ponto percentual, é algo inédito na UE e mostram quão rapidamente os países da região estão a mover-se “em direção a um sistema elétrico suportado pela eólica e solar”, diz Beatrice Petrovich, coautora da análise.
Explicam os especialistas da Ember que a solar e a eólica conseguiram ultrapassar os combustíveis fósseis da produção de eletricidade em muito graças ao “crescimento impressionante” da energia solar. Segundo a análise, a energia solar aumentou cerca de 20.1% em 2025 pelo quinto ano consecutivo, e gerou uns sem precedentes 13% de eletricidade na UE no ano passado, acima tanto do carvão como da hidroelétrica.
Essa tendência foi observada em todos os países do bloco, com a solar a registar um crescimento na produção de eletricidade face a 2024. Por exemplo, na Hungria, no Chipre, na Grécia, em Espanha e nos Países Baixos, a solar gerou mais de um quinto da eletricidade produzida.
Atrás da solar, a eólica foi a segunda fonte que mais eletricidade produziu na UE em 2025 (cerca de 17%).
O grupo Ember fala de uma “mudança estrutural” por toda a região, salientando que, no ano passado, em 14 dos 27 Estados-membros a solar e a eólica produziram mais eletricidade do que todas as fontes fósseis juntas.
Ainda assim, a produção elétrica com base no gás aumentou 8%, algo que os analistas atribuem em grande parte a uma redução da geração hidroelétrica. Seja como for, os especialistas salientam que o gás continua em declínio como fonte de produção de eletricidade na UE, ficando em 2025 cerca de 18% abaixo do pico atingido em 2019.
A subida do gás no ano passado fez subir também a fatura de importação de gás do setor elétrico na UE para os 32 mil milhões de euros, 16% mais elevada do que em 2024. Diz a Ember que esse foi o primeiro aumento do custo de importação de gás desde a crise energética de 2022 e que isso fez também disparar os preços da eletricidade na UE comparativamente com o ano anterior.
“A próxima prioridade da UE deve ser reduzir significativamente a dependência do gás importado”, defende Petrovich, que considera que isso é essencial não só para proteger a região de “chantagem energética”, numa clara alusão aos impactos da guerra na Ucrânia, mas também para fazer cair os preços da eletricidade.









