Devastação da Amazónia brasileira aumentou 24% no primeiro semestre do ano

A Amazónia brasileira perdeu 2.544 quilómetros quadrados de floresta no primeiro semestre do ano, mais 24% do que os números registados entre janeiro e junho de 2019.

A informação foi divulgada ontem num estudo publicado pela organização não-governamental Instituto Amazónico do Homem e do Meio Ambiente (Imazon).

Segundo o instituto, foi a segunda maior taxa de devastação da Amazónia brasileira registada num semestre desde 2010.

Só no último mês de junho, a Amazónia brasileira perdeu 822 quilómetros quadrados de floresta.

O estudo também realçou o avanço contínuo da desflorestação dentro das reservas ambientais da Amazónia.

A Florex Rio-Preto Jacundá, localizada no estado brasileiro de Rondónia, foi a mais desmatada no mês de junho com 47 quilómetros de área destruída. Em seguida, vem a área de proteção Triunfo do Xingu, no Pará, com 27 quilómetros quadrados devastados.

As terras indígenas que mais foram alvo do desmatamento ilegal são Apyterewa, Mundurucu e Kayapó, todas no Pará.

Segundo o Imazon, o estado brasileiro do Pará registou 43% do total de desflorestação da Amazónia, seguido pelo estado do Amazonas (21%), Mato Grosso (14%), Rondónia (14%), Acre (7%) e Roraima (1%).

O estudo também revelou que dos mais de 800 quilómetros quadrados devastados em junho, 213 ocorreram em áreas degradadas, ou seja, onde são realizadas queimadas e extração seletiva de árvores com o objetivo de comercializar madeira.

Desde que Jair Bolsonaro chegou à Presidência do Brasil em 01 de janeiro de 2019, a desflorestação na maior floresta tropical do mundo explodiu.

Em 2019, a devastação da Amazónia brasileira saltou 85%, somando 9.165 quilómetros quadrados de mata destruída, seu nível mais alto desde 2016, segundo dados oficiais.

A organização Fundo Mundial para a Vida Selvagem (WWF) já apontou que o Brasil está a caminhar para o segundo ano consecutivo de aumento da desflorestação das florestas do país.

Nas últimas semanas, Bolsonaro foi pressionado por organizações ambientais, grandes empresas brasileiras e investidores estrangeiros que manifestaram preocupação pela preservação da maior floresta tropical do mundo.

Bolsonaro, defensor da exploração de recursos naturais em busca de “progresso” na Amazónia, é apontado como um dos responsáveis pelo aumento da exploração madeireira, de minadores e invasões de pessoas que se autodeclaram fazendeiros para obter a titulação de terras públicas na Amazónia.

Na quinta-feira, durante uma transmissão ao vivo na sua conta na rede social Facebook, Jair Bolsonaro defendeu a política ambiental do seu Governo e declarou que há uma seita ambiental na Europa, que tem tentado prejudicar o agronegócio local acusando o país de não preservar as suas florestas.

“Essa guerra da informação não é fácil. Nós temos problemas porque o Brasil é uma potência no agronegócio. A Europa é uma seita ambiental. Eles [europeus] não preservaram nada do seu meio ambiente, praticamente nada, quase não se ouve falar em reflorestamento na região, mas o tempo todo atiram em cima de nós [do Brasil] de forma injusta porque é uma briga comercial”, afirmou Bolsonaro.

No mesmo dia teve repercussão internacionalmente um estudo que apontou que cerca de um quinto das exportações anuais de soja do Brasil para a União Europeia está potencialmente ligada à desflorestação ilegal no país.

A investigação foi feita por pesquisadores Universidade Federal de Minas Gerais e publicado na revista científica Science.

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