Dia Mundial da Água alerta para poluição e sobre-exploração



A poluição, a sobre-exploração e as alterações dos habitats aquáticos continuam a comprometer a qualidade e a disponibilidade de água, alerta a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) no Dia Mundial da Água, que hoje se assinala.

Numa declaração a propósito da efeméride, a APA, enquanto autoridade nacional da água, lembra os efeitos das alterações climáticas, “com secas cada vez mais frequentes e inundações mais gravosas”.

E acrescenta: “Também o grau de artificialização dos rios, estuários e zonas costeiras (…) obriga-nos a tomar decisões do caminho a seguir para que o futuro possa existir para as próximas gerações”.

O Dia Mundial da Água foi criado por uma resolução da Assembleia Geral da ONU em dezembro de 1992 e passou a ser comemorado a partir de 22 de março do ano seguinte, para chamar a atenção para a importância da água doce. A ONU convida os países a, neste dia, apoiarem atividades de sensibilização para a importância da água.

Cabe à UNESCO (que hoje divulga um relatório global sobre a água) coordenar as comemorações da ONU, este ano sob o lema “Água para a Paz”. Audrey Azoulay, diretora-geral da UNESCO, lembra em mensagem para este dia que a água, cujo ciclo é global, está permanentemente em conflito com as fronteiras humanas.

“Cabe-nos a nós tirar as conclusões necessárias e vê-la como aquilo que é: um bem vital e comum da humanidade, que deve, portanto, ser considerado à escala da humanidade”, afirmou.

A APA assinala hoje o dia promovendo iniciativas de alerta e sensibilização para a importância dos recursos hídricos, recordando a necessidade de se reduzir o consumo de água, apostando em origens alternativas e na cooperação, e recordando também que a água é para todas as espécies e que deve ser assegurada no seu estado natural.

Também a EPAL (Empresa Portuguesa das Águas Livres) está a celebrar a efeméride com iniciativas ao longo desta semana e da próxima, acima de tudo de sensibilização, por exemplo junto de escolas.

No âmbito da efeméride haverá novas adesões à campanha de consumo sustentável de água da torneira, através da qual a empresa oferece garrafas e jarros para se disponibilizar água em eventos.

A produção de água para reutilização a partir das Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) e aproveitamento das lamas para fertilizantes estão também em destaque.

A ONU salienta a propósito da efeméride que a água pode criar a paz ou desencadear conflitos. E diz que mais de três mil milhões de pessoas em todo o mundo dependem da água que atravessa fronteiras nacionais, ainda que só 24 países tenham acordos de cooperação para toda a água que partilham.

Os últimos dados disponíveis, oficiais, indicam que 2,2 mil milhões de pessoas ainda vivem sem água potável gerida de forma segura, incluindo 115 milhões de pessoas que bebem água de superfície, e que cerca de metade da população mundial está a sofrer uma grave escassez de água durante pelo menos uma parte do ano.

As catástrofes relacionadas com a água dominaram a lista de catástrofes nos últimos 50 anos e são responsáveis por 70% de todas as mortes relacionadas com catástrofes naturais, segundo dados de 2022 do Banco Mundial.

No Dia Mundial da Água, 84 organizações de Portugal e Espanha denunciam em comunicado o mau estado dos rios na bacia do Tejo, com problemas como a captação abusiva de caudais, a perda de dinâmica fluvial, a ocupação e degradação das margens e a falta de qualidade da água.

E ainda a propósito do dia que hoje se comemora a associação ambientalista Zero analisou dados sobre o abastecimento de água em Portugal e diz, em comunicado, que os municípios que não asseguram a recuperação de gastos apresentam mau desempenho na reabilitação das redes de abastecimento e na redução das perdas de água.

Em 102 entidades que asseguram aos consumidores o abastecimento de água com cobertura de gastos deficitária, 74 têm elevadas perdas de água e 73 apresentam um investimento insatisfatório na reabilitação das redes de abastecimento, diz a Zero.

A água não faturada em 2022, acrescenta, representou perdas económicas de 310 milhões de euros. A sustentabilidade do serviço poderá estar comprometida sem um aumento de tarifas, alerta.





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