Dois terços dos tubarões e raias dos recifes de coral estão ameaçados de extinção



Os recifes de coral são dos ambientes mais biologicamente diversos do planeta, rivalizando até com as florestas tropicais. No entanto, são ecossistemas sensíveis que se desenvolvem sobre um delicado equilíbrio ecológico que tem vindo a ser degradado pela ação dos humanos nessas áreas, seja através da sobre-exploração, da destruição de habitats ou da poluição.

Num artigo divulgado recentemente na ‘Nature Communications’, dezenas de cientistas lançam um alerta contundente: quase um terço das espécies de todas as espécies de tubarões e de raias (parentes próximos dos tubrações) que vivem nos recifes de coral estão ameaçados de extinção.

Mais especificamente, a investigação revela que 59% dessas espécies em 134 recifes correm o risco de desaparecer, especialmente por causa da captura excessiva, uma ameaça intensificada pelos efeitos devastadores que as alterações climáticas estão a ter sobre esses habitats.

Samantha Sherman, da Simon Fraser University e uma das autoras do artigo, confessa que foi com surpresa que constatou o grande nível de ameaça que essas espécies enfrentam, e afirma que “muitas espécies que pensávamos serem comuns estão a sofrer perdas a um ritmo alarmante e estão a ser cada vez mais difíceis de encontrar em alguns lugares”.

Apesar de os recifes, que albergam perto de um terço de toda a diversidade de espécies de peixes do planeta, estarem a sofrer uma grande pressão pela construção nas zonas de costa e pelo aquecimento dos oceanos, os autores dizem que a sobrepesca continua a ser “a ameaça mais imediata”.

Investigações anteriores tinham já feito soar os alarmes, ao revelarem que as 11 espécies de tubarões e raias dos recifes estavam em declínio, sendo que 20% das populações locais consideram-se já funcionalmente extintas.

No entanto, estes estudos deixavam de parte as restantes 123 espécies, e é essa lacuna que a presente investigação pretende preencher.

Assim, das 134 espécies agora abrangidas, 59% estão numa das três categorias de ameaça da Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN): Vulnerável, Ameaçada ou Criticamente Ameaçada. Ainda, considera-se que 13% das restantes espécies estão “Quase Ameaçadas”.

Apesar de reconhecerem que a pesca nos recifes de coral costeiros são essenciais para a subsistência e segurança alimentar de cerca de 500 milhões de pessoas em todo o mundo, os cientistas avisam que os impactos humanos sobre esses ecossistemas “excedem largamente a produtividade de muitos dos tubarões e raias dos recifes”. Por outras palavras, o impacto da pesca sobre as populações dessas espécies é maior do que a capacidade que elas têm para recuperar das perdas sofridas.

Por isso, os investigadores dizem que só será possível travar o declínio dessas espécies, e evitar a sua extinção, com a implementação de estratégias de gestão da pesca que sejam suportadas por evidências científicas, além de salientarem a importância das áreas marinhas protegidas para assegurar a saúde dessas populações.

Nick Dulvy, outro dos autores, recordar que medidas para proteger os tubarões são coisa recente, e que, devido à longevidade desses animais, os efeitos dessa proteção podem só começar a ser vistos daqui a várias décadas.

É por essa razão que defende a aplicação imediata de estratégias de gestão da pesca que tenham em consideração a conservação dos tubarões e raias dos recifes de coral.



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