Drag Queens: guerreiras modernas da luta pela igualdade

O Brasil continua a ser um dos países no mundo mais perigosos para pessoas LGBTI+. Só em 2017, houve, segundo o Grupo Gay da Bahia, 445 mortes violentas, o que representa um aumento de 30% relativamente ao ano anterior. Mas neste pano de fundo de violência e intolerância, brilha uma inusitada e megaestrela pop: Pabllo Vittar.

Vittar é uma drag queencujos vídeos no YouTube já foram vistos centenas de milhões de vezes e que tem mais seguidores no Instagram que RuPaul (7,3 milhões contra 2,2 milhões), a famosa drag queen norte-americana que levou a cultura draga toda uma nova geração de pessoas, com o seu programa televisivo RuPaul’s Drag Race.

Mas Pabllo Vittar não é apenas uma drag queen no Brasil. É um símbolo de resistência e esperançapara os que têm visto o moralismo religioso crescer no país. Vittar diz que os fãs partilham consigo os problemas e as dificuldades que enfrentam por serem gay. “Quero dar-lhes força para que possam continuar a ser quem são.”

Pabllo disse num programa de horário nobre que “gosto de ser uma rapariga, gosto de ser rapaz”. E quando um juiz Brasileiro fez a lei federal voltar atrás no que toca à proibição das terapias de conversão gay, Vittar tuitou para os mais de 680 mil seguidores “não estamos doentes”, tendo sido aplaudido pela sua posição sobre o tema.

 

Camel Toe é um ato político

Por cá, Camel Toe é uma das mais recentes drag queen portuguesas a chegar à ribalta do horário nobre. Ficou conhecida numa recente reportagem da TVI que abordou a cena drag portuguesa, mas destacou-se mais pelo que disse do que pela forma como se veste. Bruno Cunha, de seu nome, diz que o “drag é um ato político. Quer queiras quer não, a partir do momento em que fazes uma coisa que a sociedade não te permite é um ato político, porque acreditas em algo diferente”. E o seu drag foi sempre direcionado para o ativismo pela necessidade que sente de reagir contra as norma da sociedade que atentam contra a sua liberdade pessoal.

 

70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos

No preâmbulo original da Declaração Universal dos Direitos Humanos, pode ler-se que o fundamento da liberdade e justiça assenta no reconhecimento “da dignidade inerente a todos os membros da família humana. Mas passados quase 70 anos desde a publicação da carta ainda há muito por fazer. Estamos, todavia, a tempo de reduzir desigualdades e fazer avançar a Agenda dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis da ONU para 2030 que, entre outras coisas, pede a redução de desigualdades nos países que assinaram a carta.

Fotos: Pabllo Vittar e Camel Toe

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