Egito e Sudão “otimistas” sobre negociações quanto à mega barragem no Nilo Azul

O Egito e Sudão manifestaram hoje “otimismo” sobre o resultado das negociações com a Etiópia para chegar a um acordo sobre a gestão da polémica mega barragem construída por Addis Abeba no Nilo Azul.

“As negociações são a única forma de resolver os problemas da barragem”, refere um comunicado conjunto divulgado após a primeira visita oficial a Cartum do primeiro-ministro egípcio, Moustafa Madbouli, no qual se refere também que os dois países se declaram “otimistas qunato ao resultado das negociações conduzidas sob a égide da União Africana”.

As negociações, que começaram há vários meses, devem ser retomadas entre os ministros dos três países, em princípio, na segunda-feira, depois de terem sido suspensas após duas semanas a pedido de Etiópia que procura ligar a gestão da barragem do Nilo Azul à renegociação sobre a partilha da água.

Addis Abeba considera que a Grande Barragem do Renascimento (Gerd) é fundamental para seu desenvolvimento económico e eletrificação, enquanto Cartum e o Cairo temem que no futuro a maior barragem hidroelétrica de África, com 145 metros de altura, limite o seu acesso à água.

“É importante chegar a um acordo que garanta os direitos e interesses dos três países, segundo o acordo de princípio que assinaram em março de 2015”, salientam no comunicado conjunto o Sudão e o Egito.

Estes dois países insistem no facto de que “os três países devem estar comprometidos com um acordo que deve incluir um mecanismo para resolver quaisquer disputas que possam surgir” entre eles.

Até agora, a Adis Abeba tem recusado um acordo, pois considera que a barragem, cuja construção teve início em 2011, lhe pertence.

Na primeira visita oficial a Cartum desde a formação do Governo de transição sudanês em 2019, Madbouli faz-se acompanhar de uma grande delegação de que fazem parte os ministros da Irrigação e Água, Eletricidade, Saúde, do Comércio e da Indústria, bem como altos funcionários de outros ministérios.

“O objetivo desta visita é melhorar a cooperação entre os dois países em vários domínios”, disse o gabinete do primeiro-ministro sudanês num comunicado.

Estava previsto que Madbouli também se encontrasse com o general Abdel Fattah al-Burhane, chefe do Conselho Soberano, e o vice-presidente deste conselho, General Mohamed Hamdan Dogolo.

Este conselho, o órgão máximo do poder no Sudão, é responsável por supervisionar a transição política para o poder civil após a demissão do presidente Omar al-Bashir, em abril de 2019.

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