Empresa de Braga relocaliza-se e constrói nova sede com pneus usados (com FOTOS)

Em 2010, a empresa de soluções de software Plako decidiu deslocar a sua sede do centro de Braga para uma zona rural a poucos quilómetros, na Póvoa do Lanhoso, demonstrando que é possível continuar a crescer longe dos grandes centros urbanos.

Desde essa data que a Plako está localizada na Incubadora de Empresas de Ferreiros, naquela vila minhota, que foi instalada na antiga escola primária da freguesia. Mas o destino final da empresa tecnológica é outro: o edifício Utopia, uma infra-estrutura feita de raiz a partir do enchimento de 2000 pneus com terra, revestidos com uma combinação de argamassa, cal, palha, areia e latas de refrigerante usadas.

Apoiado pela Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso, Quercus e Universidade do Minho, entre outros, o projecto Utopia nasceu da vontade de uma empresa ligada à área das novas tecnologias de informação em dispor de umas instalações com o menor impacto possível no meio ambiente e no respeito pela biodiversidade do espaço. O edifício terá um custo final de €230.000.

Localizado a 300 metros do Rio Cávado, na Póvoa de Lanhoso, a área tem mais de 1 hectare de terreno e é circundada por um ribeiro de águas cristalinas, no meio de uma vasta zona agrícola onde predominam os pastos de erva característica da região do Minho.

O principal edifício do projecto Utopia é composto por uma construção onde as paredes exteriores do edifício são construídas com recurso a pneus usados cheios de terra. Esta técnica, desenvolvida na década de 70 pelo eco-arquitecto americano Michael Reynolds, foi adaptada aos climas húmidos do norte do país, sendo que todo o edifício fica suspenso no ar através de 34 pilares para facilitar a circulação do ar e melhorar a eficiência energética das instalações. Esta mesma eficiência será avaliada através de investigação realizada pelo Departamento de Engenharia Civil da Universidade do Minho.

Saiba tudo sobre o novo edifício da Plaxo e veja um pequeno vídeo sobre a evolução da sua construção. 

“O tecto será construído com recurso a vigas e tábuas de madeira e, no topo deste, será colocado um extenso coberto vegetal que irá ajudar a minimizar o impacto visual do edifício no contexto da paisagem circundante”, explica a Plako em comunicado.

Ao nível dos acabamentos, o edifício irá contar com um revestimento em cortiça no seu exterior e um reboco à base de argila, no lado interior. Para além da estrutura principal de pneus, as paredes internas serão construídas a partir de uma investigação desenvolvida por Paulo Mendonça, do Departamento de Arquitectura da Universidade do Minho. “O edifício Utopia será o primeiro do mundo a utilizar esta nova tecnologia que, para além de apresentar melhor desempenho no que se refere ao isolamento acústico e térmico, tem a vantagem de serem reutilizável”, conclui a Plako.

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