Encontro com tubarões ‘preguiçosos’ nas Seicheles questiona o que se sabe sobre como respiram

O tubarão-cinzento-dos-recifes, afinal, também é capaz de respirar mesmo sem estar em movimento. A hipótese é avançada por um grupo de cientistas que, por acaso, se deparou com um grupo desses tubarões a descansarem debaixo de rochas num recife ao largo ilha D’Arros.

Filipe Pimentel Rações

Os tubarões são predadores ágeis, velozes e implacáveis dos oceanos, capazes de velocidades estonteantes quando perseguem presas. O pensamento convencional indica que esses animais precisam de se manter constantemente em movimento para poderem oxigenar o sangue, empurrando água pelas suas guelras.

Contudo, algumas espécies de tubarões, como o Ginglymostoma cirratum, podem parar para descansar, bombeando água ativamente, sem precisarem de estar a nadar.

Agora, uma investigação científica, divulgada recentemente na revista ‘Fish Biology’, revela que também o tubarão-cinzento-dos-recifes (Carcharhinus amblyrhynchos) é capaz dessa respiração estacionária.

A descoberta aconteceu por mero acaso. James Lea, responsável da Fundação Save Our Seas (SOSF), fazia mergulho num recife de coral não muito profundo ao largo da ilha D’Arros, no arquipélago das Seicheles, no Oceano Índico, quando deu de caras com um grupo de tubarões-cinzentos-dos-recifes parados sob umas rochas.

Até agora, pensava-se que esses animais tinham de estar sempre em movimento para poderem respirar. Mas depois desse primeiro encontro, Lea e outros investigadores registaram mais casos de tubarões-cinzentos-dos-recifes a descansarem, imóveis por baixo de corais.

Tubarões-cinzentos-dos-recifes presumivelmente a dormir.
Foto: Craig Foster (coautor do artigo) / Sea Change Project

“Isto é importante, porque não é algo que pensávamos que conseguissem fazer”, explica, em comunicado, Robert Bullock, diretor de investigação do Centro de Pesquisa da SOSF em D’Arros, e que, conjuntamente com Lea, assina o artigo.

Sabe-se que os tubarões são capazes de estar imóveis e até de dormir, mas pensava-se que as espécies que precisam de estar em movimento para respirarem dormissem em movimento, ‘desligando’ partes do cérebro à vez, como os cachalotes ou alguns golfinhos. Outra hipótese apontava que esses tubarões descansam e dormem contra as correntes marinhas, para que a água continue a fluir pelas guelras.

Os cientistas descobriram que os tubarões-cinzentos-dos-recifes são capazes de bombear água para oxigenarem o seu sangue, e podem fazê-lo pelo menos durante 40 minutos, com base nas observações feitas. Além disso, como os tubarões não reagiram à presença dos mergulhadores, os investigadores sugerem que podem mesmo dormir.

Com esta descoberta, um manancial de outras questões surge sobre a importância do descanso para esta espécie, sobre quanto tempo dormem e com que frequência o fazem.

“Temos ainda tanto que aprender e isso, para mim, é realmente entusiasmante”, confessa Lea.

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