Ervas marinhas são fundamentais para combater erosão das zonas costeiras



Fustigadas pela rebentação incessantes das ondas do mar, as zonas costeiras sofrem uma ação de erosão que as vai desgastando ao longo do tempo. Com o aquecimento global e o consequente degelo e subida do nível do mar, o ‘grande azul’ tenderá a galgar cada vez mais sobre a terra, pelo que é necessário que as estratégias de adaptação às alterações climáticas tenham como um dos eixos centrais a proteção das áreas costeiras e das comunidades que aí se radicam.

De acordo com um artigo publicado na revista ‘Marine Ecology Progress Series’, as ervas marinhas, espécies de flora aquática que dão flor, podem ser a resposta para o problema, pois podem reduzir até 70% a ação erosiva do mar sobre a costa.

Um grupo de cientistas, da Suécia, dos Países Baixos e da Austrália, explica que “a erosão costeira é um problema global que é frequentemente combatido reabastecendo a costa e as praias com nova areia em locais onde tempestades tenham infligido os maiores danos”.

Eduardo Infantes, biólogo marinho da Universidade de Gotemburgo, na Suécia, declara que “as pradarias de ervas marinhas na costa são ativos valiosos na mitigação da erosão”, pois as redes formadas pelas suas raízes mantêm coesas e estáveis as dunas de areia submarinas e atuam como “amortecedores” do efeito da ondulação sobre a costa.

“A estabilização de sedimentos é habitualmente reconhecida como uma importante função ecossistémica das ervas marinhas”, mas a relação entre as raízes dessas plantas aquáticas e a estabilidade dos sedimentos “tem sido pouco estudada”.

O artigo refere que atualmente aproximadamente 634 milhões de pessoas, ou 8% da população mundial, vivem em zonas costeiras que estão a menos de 10 metros acima do nível do mar, fazendo com que estejam particularmente vulneráveis à subida do nível do mar e a tempestades “cada vez mais frequentes e intensas”.

“Por isso, tirar o devido partido da proteção costeira fornecida pela vegetação costeira poderá ser de crucial importância para uma proporção substancial da população”, afiançam os autores, reiterando que as pradarias de ervas marinhas, à semelhança dos mangues e dos sapais, “podem ser muito eficazes na atenuação da ondulação durante tempestades”.

Infantes diz que são esses serviços fornecidos pelas ervas marinhas que tornam ainda mais importante a sua preservação, bem como a plantação em locais onde tenham desaparecido.

“No nosso estudo, fizemos tentativas bem-sucedidas para restaurar pradarias de Zostera marina na costa ocidental da Suécia”, sublinha o investigador, mas acautela que, para que esses esforços realmente surtam frutos, são precisos mais estudos detalhados sobre o atual estado do leito marinho.

Os cientistas recolheram amostras de sedimentos marinhos arenosos com e sem ervas marinhas e colocaram-nos em tanques onde simularam a ondulação do mar, e perceberam que os sedimentos com ervas sofriam muito menos com a ação erosiva da água.

O próximo passo é sair do laboratório e conduzir experiências nos ambientes costeiros, para que os resultados obtidos possam ser postos à prova.





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