Estudo indica que há muito menos microplásticos na atmosfera do que se pensava

Um novo estudo internacional sugere que a quantidade de microplásticos presentes na atmosfera poderá ser significativamente inferior ao que se estimava até agora.

Green Savers Redação

Um novo estudo internacional sugere que a quantidade de microplásticos presentes na atmosfera poderá ser significativamente inferior ao que se estimava até agora. De acordo com uma investigação liderada por cientistas austríacos e publicada na revista Nature, as concentrações de microplásticos no ar podem ser entre 100 e 10 mil vezes mais baixas do que as previstas por modelos anteriores.

A equipa analisou 2.782 medições de concentrações e deposição de microplásticos atmosféricos, recolhidas em 76 estudos realizados entre 2014 e 2024, abrangendo 283 locais em todo o mundo. Estes dados reais foram depois comparados com estimativas obtidas através de simulações computacionais usadas em investigações anteriores, que terão sobrestimado de forma significativa a presença destas partículas no ar.

Segundo os resultados, a concentração média de microplásticos com dimensões entre 5 e 100 micrómetros é de cerca de 0,08 partículas por metro cúbico sobre zonas terrestres e de 0,003 partículas por metro cúbico sobre os oceanos. Ainda assim, as emissões anuais continuam a ser elevadas: os investigadores estimam que sejam libertadas para a atmosfera cerca de 6,1×10¹⁷ partículas por ano a partir de fontes terrestres, um valor mais de 20 vezes superior ao das emissões provenientes dos oceanos, estimadas em 2,6×10¹⁶ partículas anuais.

Os microplásticos, definidos como partículas de plástico entre 1 micrómetro e 5 milímetros, podem ter origem direta, como no desgaste de pneus e travões dos veículos, ou resultar da fragmentação de plásticos maiores. Estão presentes no ar, na água e nos solos, mas o seu ciclo atmosférico continua a ser pouco compreendido, em grande parte devido à escassez de medições e à utilização de métodos inconsistentes.

Os autores do estudo, Ioanna Evangelou, Silvia Bucci e Andreas Stohl, defendem que os resultados apontam para uma menor emissão de microplásticos transportados pelo ar do que se pensava anteriormente. No entanto, sublinham a necessidade de melhorar os dados sobre a distribuição de tamanhos destas partículas e de reforçar as medições em mar aberto, áreas ainda pouco estudadas.

A investigação reconhece também algumas limitações, nomeadamente a cobertura geográfica desigual e as incertezas associadas à conversão entre massa e número de partículas. Para o futuro, os cientistas defendem estudos que incluam partículas ainda mais pequenas, como microplásticos de menor dimensão e nanoplásticos, de forma a obter uma imagem mais completa da poluição plástica na atmosfera.

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