Explosão de algas tóxicas afeta centenas de leões-marinhos e golfinhos na Flórida

Uma explosão de algas tóxicas ao largo da costa do sul da Flórida, nos Estados Unidos da América, já afetou várias centenas de leões-marinhos (Zalophus californianus) e golfinhos-comuns (Delphinus delphis).
Nas praias desse estado norte-americano têm aparecido diversos animais mortos ou com espasmos musculares, provocados pela toxina das algas, o ácido domóico, que afeta o sistema nervoso.
De acordo com a agência dos EUA para os oceanos e atmosfera (NOAA), os animais afetados podem exibir comportamentos erráticos, e, segundo relatos da imprensa norte-americana, haverá pelo menos um caso de ataque de leão-marinho a um banhista. A NOAA diz que as equipas de resgate estão a ter de tomar decisões difíceis, incluindo dar prioridade ao cuidado dos animais com melhores hipóteses de sobrevivência.

Foto: Channel Islands Marine & Wildlife Institute
Em comunicado, é avançado que a razão do fenómeno é uma alga conhecida como Pseudo-nitzschia, que se pode multiplicar rapidamente, se as condições ambientais forem as ideias. E foi isso mesmo que aconteceu na costa do sul da Flórida.
Dizem os especialistas que correntes marinhas ascendentes (o upwelling, em inglês) trouxeram para a superfície nutrientes de zonas mais profundas, alimentando a proliferação das algas tóxicas e, assim, a quantidade de ácido domóico presente na água. O surto de algas surgiu mais cedo do que em anos anteriores, segundo a NOAA, e tem sido mais intenso nas áreas de Los Angeles e Santa Bárbara.
Embora sem fazer quaisquer referências às alterações climáticas, que se sabe poderem exacerbar a produção de algas com o aquecimento dos mares e o aumento da quantidade de dióxido de carbono dissolvido nos mares, a agência norte-americana, em nota, diz que este é o quarto ano consecutivo em que a vida marinha do sul da Flórida é afetada por uma explosão de algas tóxicas.
Os esforços de resgate dos animais afetados estão a ser feitos por uma rede de organizações, incluindo o Marine Mammal Care Center, em Los Angeles, cujo diretor John Warner confessa que “no terreno, o impacto emocional é enorme”.
“Ano após ano, está a tornar-se difícil. Cada uma das nossas organizações está a esforçar-se por chegar ao maior número possível de animais, mas não temos recursos para salvar todos”, admite, em nota.

Foto: Andrea Dransfield / Channel Islands Cetacean Research Unit
Outros parceiros das ações de resgate são o Channel Islands Marine & Wildlife Institute e o Channel Islands Cetacean Research Unit, organização cuja fundadora e diretora, Michelle Kowalewski, comenta que “o que torna este evento único é o facto de esta explosão ocorrer muito cedo na estação e não parecer estar associada a ventos fortes” ou a uma camada de algas especial espessa, “como vimos no passado”.
Justin Viezbicke, da divisão californiana da secção de pescas da NOAA, afirma que “infelizmente, estamos a habituar-nos a ver isto todos os anos”.