Flamingos que migram envelhecem mais lentamente do que os residentes



Os flamingos (Phoenicopterus roseus) que migram tendem a envelhecer mais lentamente do que os indivíduos que optam por permanecer num só local durante todo o ano.

A conclusão, apresentada num artigo publicado na revista ‘PNAS’, resulta de dados recolhidos ao longo de 44 anos pelo centro de investigação Tour du Valat sobre os flamingos que frequentam o Parque Natural Regional de Camargue, no sul de França.

Os investigadores definiram dois grupos: os residentes, que ficam em Camargue durante toda a sua vida, e os migrantes, que todos os anos voam pela costa do Mar Mediterrâneo. Os primeiros têm um melhor desempenho nas primeiras etapas das suas vidas, pois estabelecem colónias nas zonas húmidas costeiras do Mediterrâneo francês durante o inverno, conseguindo taxas mais elevadas de sobrevivência e de reprodução do que os migrantes.

No entanto, dizem os cientistas que o sedentarismo tem um custo. Os flamingos residentes tendem a envelhecer 40% mais do que os migrantes: a sua capacidade de reprodução reduz e o risco de morte aumenta mais rapidamente do que nos animais que têm modos de vida nomádicos.

Por outro lado, os migrantes, que se lançam em voos todos os invernos em direção a Itália, a Espanha ou ao Norte de África, apresentam maiores taxas de mortalidade e reduzidos níveis de reprodução nas etapas iniciais das suas vidas. Contudo, essa desvantagem é compensada com um envelhecimento mais lento quando têm idades mais avançadas.

O grupo de investigadores estima que o processo de envelhecimento biológico, ou senescência na gíria científica, começa mais cedo nos flamingos residentes, por volta dos 20,4 anos, ao passo que nos migrantes começa, em média, aos 21,9 anos.

“Os residentes vivem mais intensamente no início, mas pagam por esse ritmo mais tarde. Os migrantes, por outro lado, parecem envelhecer mais lentamente”, diz, em comunicado, Sébastien Roques, um dos coautores do estudo.

Para os cientistas, a investigação mostra que a migração, um comportamento comum a milhares de milhões de animais, pode influenciar o ritmo do seu envelhecimento, e os flamingos podem ajudar a perceber melhor como funciona essa relação.

“Compreender as causas das variações no ritmo de envelhecimento é um problema que tem obcecado investigadores e filósofos polímatos desde a antiguidade”, refere Hugo Cayuela, primeiro autor do artigo.

“Durante muito tempo, pensámos que estas variações ocorriam sobretudo entre espécies. Mas recentemente a nossa perceção do problema mudou. Estamos a acumular evidências que mostram que, dentro da mesma espécie, é frequente os indivíduos não envelhecerem ao mesmo ritmo devido a variações genéticas, comportamentais e ambientais”, detalha o cientista.






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