Francis Salema: “Jovens devem incentivar restantes gerações a fazerem alguma coisa pelo Planeta”

O Green Savers esteve à conversa com uma jovem ativista portuguesa no evento Planetiers World Gathering. Entre o seu testemunho e o alertar de algumas mudanças necessárias para a recuperação verde, foi realçada a importância do papel dos jovens no futuro do Planeta.

Foi aos 17 anos que a ativista Francis Salema fez parte da organização da primeira Greve Climática Estudantil, realizada em 2019, que mobilizou mais de 20 mil estudantes em todo o país. No entanto, o ‘bichinho’ pelo ambiente já se tinha manifestado anteriormente: “Uma coisa boa acerca do ensino português, ou pelo menos de quem teve a sorte como eu de ter professores bons, é que acabas sempre por poder fazer uma apresentação ou outra sobre assuntos que te interessam. Foi aí que eu comecei a fazer uma espécie de ativismo, a alertar os meus colegas para o problema do Greenwashing, que era algo que eu tinha ouvido falar e que não havia mais ninguém a fazê-lo… assim por volta do oitavo ou nono ano”, explica.

Com o tempo foi também conhecendo mais sobre as alterações climáticas nas suas aulas; “O que é interessante é que nós sabemos o que temos de fazer, eu via isso nas aulas que tinha… Agora, eu olhava à minha volta no mundo e via realmente que não estava a acontecer nada nesse sentido.”
A jovem revela que esteve sempre à procura de poder fazer ativismo noutro nível além da própria escola, e que agarrou essa oportunidade quando se pode juntar ao movimento da Greve Climática Estudantil.

“Eu diria que o papel dos jovens hoje em dia é de incentivar as restantes gerações realmente a fazerem alguma coisa pelo Planeta, porque de facto nós somos a geração que tem mais interesse em que haja um futuro sustentável” começa por explicar, reforçando que o período que se vive atualmente é o indicado para fazer “a mudança que queremos ver no mundo.”

Francis considera que as novas gerações estão num bom caminho relativamente à consciencialização da sustentabilidade, embora tenha de ocorrer uma mudança a nível estrutural. “Como estamos num sistema que continua a ser altamente insustentável, eu considero que as pessoas que estão em perigo de ser enganadas pelos processos de Greenwashing que se vê a nível económico e político”, “produtos que dizem ser verdes e sustentáveis e que na verdade não são, ou politicas ambientais que são muito ambiciosas mas que depois na realidade o que se vê é outro tipo de projetos.” No mesmo contexto, a ambientalista já tinha mencionado numa sessão do evento projetos como o Aeroporto do Montijo, que se planeia construir perto da Reserva Natural do Estuário do Tejo.

Quanto à recuperação verde em Portugal, Francis Salema considera que os jovens têm um papel essencial no incentivo da mudança, mas que existem muitas coisas que têm de ser diferentes, como é o caso dos transportes públicos, que fora do centro de Lisboa precisam notavelmente de um maior investimento, o caso da rede ferroviária do país, cujo “projeto está bastante debilitado”, tal como a necessidade de fazer uma transição energética, “com requalificação dos trabalhadores, não podemos simplesmente acabar com uma Central e não termos planos para os trabalhadores, visto que era a sua única oportunidade de emprego e de formação” explica, e ainda “mais políticas para evitar o Greenwashing”.

“Há muitas coisas que temos que fazer realmente para que o nosso mundo seja um pouco mais verde”, conclui a jovem ambientalista, “e nós somos aqueles que estão mais informados no sentido de fazer essa mudança, portanto temos que incentivar a trazer mais pessoas para esta luta.”

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