From Kibera with Love: a portuguesa que ajuda crianças do maior bairro de lata do mundo (com FOTOS)

Há dois anos partiu para o Quénia, através da AIESEC, para três meses de voluntariado naquele que é considerado o maior bairro de lata do mundo, Kibera. “Tinha tudo para ser só a maior experiência da minha vida mas apaixonei-me por 25 miúdos e meti na cabaça que tinha de mostrar às outras pessoas a condição desumana em que as pessoas de Kibera vivem”.

Foi assim que começou a missão de Marta Baeta, jovem lisboeta de 25 anos, e também do projecto “From Kibera with Love”, através do qual Marta ajuda várias crianças deste grande bairro de lata. “Inicialmente, sem saber muito bem o que estava a fazer, comecei por garantir a educação a 16 crianças. Hoje – depois de ter feito obras na escola onde comecei por ser voluntária, de assegurar apoio médico, roupas, brinquedos, calçado material escolar e até mesmo uma festa de anos – já são 55 crianças e jovens que contam com este apoio”, explica Marta.

Contudo, o número de pessoas que Marta já ajudou ultrapassa largamente os 55. A família desde cedo lhe incutiu a necessidade e responsabilidade de ajudar o outro. Foi escuteira e aos 17 anos fez pela primeira vez voluntariado uma associação protectora de animais. Com a ida para a universidade, Marta teve acesso a outros projectos de mais larga escala. “Eu queria ir para África mas achava que ainda não tinha formação para tal. Então comecei a tentar obter essa formação através de cursos de voluntariado internacional e participando em formações anuais de grupos de voluntariado que enviam jovens para África no Verão”, indica.

Trocou a Química pelas Relações Públicas e Comunicação Empresarial e durante os estudos superiores envolveu-se em actividades estudantis e solidárias. Pelo meio fez um intercâmbio no Brasil e quando lhe faltava um semestre para acabar o curso resolveu ir fazer voluntariado para o Quénia. “Depois disso voltei decidida a terminar o curso pois queria voltar para o Quénia”, conta.

Casas novas para 29 famílias

Em Outubro, Marta parte mais uma vez, agora por seis meses, para Kibera. O plano de acções está já elaborado. “Pretendo comprar casas para as famílias das crianças que apoio. Eles pagam uma renda de €15 a €20, que para nós é pouco mas para eles é muito. Caso não consiga comprar uma casa para as 29 famílias que apoio, pretendo fazer obras nas que habitam”, afirma Marta. A jovem explica ainda que pretende um projecto de pequenos negócios para os pais que não têm emprego, fornecendo-lhes assim a ajuda para começarem o seu próprio negócio.

Porém, nem é tão fácil de concretizar quanto aparenta. Marta não conta com qualquer tipo de financiamento ou apoio. “Vendo tudo e mais alguma coisa. Coisas minhas e que as pessoas me dão para conseguir pagar a viagem, que é o mais dispendioso”, explica. “E torna-se difícil fazer tudo porque no Quénia estou sozinha, sem apoio de nenhuma ONG local, e as pessoas estão constantemente a tentar enganar-me. Há dias complicados”.

Uma vez que Marta não conta com qualquer tipo de apoio institucional toda a ajuda é bem-vinda. “O maior apoio que me podem dar neste momento, tendo em conta que não consigo levar todos os donativos de uma só vez, é monetário. Mas claro que as pessoas podem doar o que quiserem. Não rejeito nada”, refere a jovem voluntária. Frequentemente, Marta faz também apelos na página de facebook do projecto de medicamentos que necessita de levar. É também possível comprar artesanato típico do Quénia feito pelos pais das crianças ajudadas ou merchandising do projecto.

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