Portugal tem assistido a um aumento da pressão imobiliárias nos grandes centros urbanos, especialmente em Lisboa. Os mais recentes dados do Instituto Nacional de Estatística mostram que no primeiro trimestre de 2018, o preço médio por metro quadrado chegou aos 2581 euros na capital, o mais elevado do país e um aumento de 20,4% face ao mesmo período homólogo. O aumento dos preços das casas e rendas está a impelir as pessoas para as periferias, que também estão a ser afetadas por este fenómeno do aumento do preço das casas e das rendas, impelido pela crescente pressão turística, cada vez maior número de alojamentos locais e especulação imobiliária.

O fenómeno apelidado de gentrificação não é novo mas tem crescido de forma particularmente intensa nos últimos anos, devido à atratividade de Lisboa enquanto mercado para investir. Em declarações ao Jornal Económico, Luís Mendes, geógrafo do Instituto de Geografia e Ordenamento do Território da Universidade de Lisboa, explica que a gentrificação “Designa um processo de atração de capital privado e novas classes médias para bairros tradicionais dos centros históricos das principais cidades do mundo. Esse investimento requalifica os bairros, produzindo uma regeneração urbana ao nível económico, cultural e ambiental, o que acaba por encarecer os preços fundiários e imobiliários. Perante a subida dos preços de arrendamento e para habitação de casa própria, as classes populares, que residem nesses bairros, vêem-se incapazes de suportar os custos e são obrigadas a sair”.

É o que tem acontecido em Lisboa, especialmente nos bairros mais históricos, onde já praticamente não existem habitantes e os prédios foram todos ocupados por alojamento local.

Do ponto de vista do geógrafo, este problema só irá continuar a agravar-se nos próximos anos. Segundo ele, por muito altos que os preços das casas e rendas estejam para os portugueses, a verdade é que a capital portuguesa continua a ser muito atrativa do ponto de vista do investimento porque os preços são muito inferiores a capitais europeias como Londres (um décimo do preço) ou Berlim (um terço do preço), por exemplo.

 

Barcelona intervém na ONU

Barcelona é talvez dos casos mais paradigmáticos da gentrificação e do excesso de turismo. Numa cidade com 1,6 milhões de habitantes, Barcelona registou 32 milhões de visitas só em 2016. É por isso que a presidente do município, Ada Colau, apresentou na cimeira das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável a declaração “Cities for Housing”, que reúne várias metrópoles mundiais e reclamam dos Estados competências e recursos para combater a especulação imobiliária.