Grande Muralha Verde. O ambicioso projeto que promete salvar a África está muito longe do esperado

O ritmo de implementação da Grande Muralha Verde está aquém do esperado. De acordo com um estudo divulgado esta semana e noticiado no diário britânico The Guardian, o reflorestamento foi realizado em apenas 4% da área estimada (cerca de quatro milhões de um total de 154 milhões de hectares). Para que o projeto seja concluído dentro do programado – até 2030 – a cada ano os países deverão replantar o equivalente a duas vezes a área que eles replantaram até agora, a um custo anual de 4,3 mil milhões de dólares.

Até 2030, a Grande Muralha Verde de África deverá estender-se da costa do Senegal até ao leste da Etiópia numa extensão gigantesca: 15 quilómetros de largura e 7.775 quilómetros de extensão. O objetivo é travar o avanço do deserto, melhorar a gestão dos recursos naturais e combater a pobreza.

A Grande Muralha procura levar mais vida a uma área desértica que sofre com os efeitos das mudanças climáticas, mas também oferece mais possibilidades para os moradores desta região, com mais alimentos, água empregos, saúde, natureza, estabilidade material e preservação ambiental.

É que, segundo um estudo da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, os onze países implicados na construção da muralha verde — Burkina Faso, Djibouti, Eritreia, Etiópia, Mali, Mauritânia, Niger, Nigéria, Senegal, Sudão e Chad — perdem uma média de 1.712 milhões de hectares de floresta por ano, o equivalente a 34 Espanhas.

A área está a ser formada pelo plantio de acácias, árvores que suportam regiões áridas, sendo resistentes à seca, pois as suas raízes acumulam água. Porém, o maior obstáculo ao projeto poderá ser a instabilidade política. A barreira irá cruzar países como o Niger, o Sudão, Mali e Chad, países com a presença de grupos armados e organizações terroristas.

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