Guiné: Brasileira Vale troca contratos por investimento em projectos sociais

A empresa mineira brasileira Vale (ex-Vale do Rio Doce) vai investir alguns milhões de reais em projectos de desenvolvimento social na Guiné-Conacri, uma estratégia utilizada para garantir contratos de exploração no valor de 1,7 mil milhões de euros (cerca de R$ 3,9 mil milhões).

De acordo com o Financial Times, que cita o director de Finanças e Relações com os Investidores da Vale, Guilherme Cavalcanti, a empresa espera agora ter a aprovação do Governo local para o seu projecto de minério de ferro em Simandou – que partilha com a rival Rio Tinto – em troca de pagar pela educação e agricultura nas respectivas comunidades da região.

“A nossa abordagem a África não é apenas ser uma empresa de extracção mineira, mas trazer ao país uma cooperação. Tal como já fazemos em Moçambique, vamos ajudar na educação, podemos treinar as comunidades locais. Por isso é mais uma abordagem à comunidade, e não apenas extracção de minérios”, revelou o responsável.

Ao contrário da Vale, a Rio Tinto apenas conseguiu garantir 35% dos direitos para operar em Simandou em troca de um pagamento de 495 milhões de euros (R$ 1,1 milhões). Paralelamente, a Rio Tinto comprometeu-se a construir uma linha ferroviária que atravesse o País, ficando também com 51% desse projecto.

De acordo com o analista Pedro Galdi, da corretora SLW, a Vale beneficiará da sua nacionalidade. O facto do Brasil ser uma economia emergente e um novo player global será determinante para que a empresa evite pagar uma verba avultada ao governo guineense. Um argumento que a anglo-australiana Rio Tinto não pode invocar.

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