Inaugurada primeira ponte vegetada do Brasil para proteger o futuro do Mico-leão-dourado

O primeiro passo para conectar os micos-leões-dourados que vivem na Reserva Biológica de Poço das Antas com outros remanescentes da espécie que habitam a faixa de Mata Atlântica do Rio de Janeiro foi dado esta semana, com a inauguração de primeiro viaduto vegetado sobre a autoestrada BR-101.

Este é o primeiro dos dois viadutos previstos para o local, como contrapartida para a duplicação da via. As mudas de espécies nativas da Mata Atlântica foram plantadas no passado dia dois de agosto.

Segundo o presidente do conselho da organização não governamental Associação Mico-Leão-Dourado e professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), Carlos Ramon Ruiz, com a duplicação da autoestrada BR-101, feita recentemente pela concessionária que administra a via, a Reserva de Poço das Antas ficou completamente isolada do restante da Mata Atlântica.

As passagens subterrâneas, que existem sob a rodovia, não funcionam para o trânsito de micos-leões.

Com isso, a população de micos-leões da reserva perdeu a possibilidade de comunicar e se poder misturar com outros animais da mesma espécie que vivem do outro lado da autoestrada. O resultado é a pouca variabilidade genética da população futura.

“Se ficarem isolados, será difícil manter essa população viável eternamente.”, explica Ruiz.

A prova de que uma população isolada e sem diversidade genética tem problemas para se manter viável a longo prazo foi um surto de febre amarela, ocorrido em 2016 no estado do Rio de Janeiro. Com a doença, a população de micos de Poço das Antas foi dizimada, passando de 300 indivíduos, para cerca de 30 a 40, de acordo com Ruiz. Para repovoar o local, foi necessário trazer animais de outros locais, depois do surto.

Segundo o investigador, os micos devem demorar alguns anos até começar a usar o viaduto. “Se esse plantio funcionar bem, em quatro anos deve ter vegetação suficientemente alta e contínua para os micos e outros animais atravessarem o viaduto”.

Há ainda outra questão a ser resolvida. Entre o viaduto e a reserva, há uma faixa de cerca de 25 metros, por onde passam gasodutos da Petrobras. Já há conversas com a estatal sobre como ligar o viaduto à área florestada da reserva e uma das ideias é plantar árvores em ambas as margens da faixa de gasodutos e conectar as copas dessas plantas com pontes de cordas e madeira.

O mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia) é uma espécie endémica da bacia do Rio São João, no interior do estado do Rio de Janeiro, e, ameaçado de extinção, que se tornou um símbolo da luta pela preservação da Mata Atlântica.

Criada em 1974, Poço das Antas foi a primeira reserva biológica do país com o objetivo de preservar a Mata Atlântica e proteger espécies como o mico-leão e a preguiça-de-coleira.

*Com Agência Brasil

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