Indústria cimenteira lança Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050



A indústria cimenteira lançou hoje o seu Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050 e espera poder reduzir em 48% as suas emissões de CO2 até ao final desta década, através da incorporação de soluções tecnológicas inovadoras e sustentáveis.

“Se até 2050, o objetivo do setor cimenteiro nacional é claramente o de alcançar a neutralidade carbónica ao longo da cadeia de valor, até 2030 esperamos poder reduzir, face a 1990, as nossas emissões específicas brutas de CO2 por tonelada em 48% se considerarmos toda a cadeia de valor (ou 36% se consideramos a cadeia até ao cimento)”, lê-se no Roteiro da Indústria Cimenteira para a Neutralidade Carbónica 2050, preparado pela Associação Técnica da Indústria de Cimento (ATIC) e as cimenteiras Cimpor e Secil.

Para atingir o objetivo da descarbonização até 2050, a indústria cimenteira nacional propõe a criação de uma aliança industrial intersetorial, “que permitisse criar sinergias para o desenvolvimento conjunto de projetos circulares que contribuíssem para a neutralidade carbónica da economia nacional e que respondessem às linhas gerais da Estratégia Industrial Europeia”.

“A Indústria Cimenteira, juntamente – a montante ou a jusante – com a indústria química, a indústria de refinação, derivados de petróleo e plásticos, a indústria siderúrgica, os produtores e transportadores e distribuidores de energia, para referir apenas algumas, têm condições para desenvolver projetos-piloto com uma dimensão apreciável, que funcionem como âncoras para a descarbonização profunda da economia nacional e possam dar seguimento à Economia Circular, uma das políticas-bandeira da União Europeia”, refere o roteiro.

O setor considera ter um papel-chave a desempenhar no Pacto Ecológico Europeu, e, por isso, preparou um documento que identifica alguns dos desafios, desenvolvimentos tecnológicos, e investimentos privados e públicos requeridos para que se atinjam as metas da União Europeia (UE).

“Serão essenciais avultados investimentos privados e públicos para permitir que a indústria nacional, em geral, e a cimenteira, em particular, implementem um portefólio de tecnologias e projetos de inovação em todas as etapas do processo de produção do cimento, betão e argamassas”, refere o roteiro.

A indústria diz ainda precisar de um quadro regulamentar que lhe permita a investigação e desenvolvimento de novas tecnologias de produção, bem como “realizar investimentos avultados contra retornos razoáveis, assegurar o acesso a matérias-primas, energia renovável abundante e barata e a utilização de combustíveis alternativos, em pé de igualdade com concorrentes dentro e fora da UE”.

“Estamos convictos de que podendo e devendo ser resolvidas as questões técnicas e regulatórias, a possibilidade de atingirmos a neutralidade carbónica em 2050 será uma realidade”, considera o setor, que pede políticas que permitam alcançar o objetivo de neutralidade carbónica.

Segundo o roteiro, o setor cimenteiro nacional obteve, desde 1990 até 2017, uma redução superior a 14% nas emissões específicas de dióxido de carbono (CO2) por tonelada de cimento.



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