Um jaguar (Panthera onca) nadou pelo menos 1,27 quilómetros (km) seguidos no reservatório da Central Hidroelétrica de Serra da Mesa, no norte do estado de Goiás, no Brasil.
O animal, um macho adulto, nadou das margens do lago até a uma pequena ilha, embora ainda não se saiba a razão que o levou a percorrer essa distância, a maior alguma vez registada para a espécie. O recorde anterior era de cerca de 200 metros, pelo que a nova distância é cerca de seis vezes superior.
O momento foi captado a 8 de agosto de 2024 por câmaras colocadas quatro anos antes na zona por biólogos, e documentado num artigo publicado na revista ‘bioRxiv’. No entanto, os cientistas, da organização Instituto Onça-Pintada, da Universidade de Brasília e do Instituto Nacional Mata Atlântica, admitem que a distância pode ter sido ainda maior.

A estimativa incluiu uma ilhota ainda mais pequena no que se assume ser o trajeto seguido pelo jaguar até à ilha que acabou por ser o seu destino final. Se o animal fez uma paragem na ilhota antes de seguir caminho, então o nado divide-se em dois momentos: um com cerca de 1,06 km da margem até à ilhota e outro com 1,27 km da ilhota à ilha final. Contudo, se o animal tiver nadado de uma só assentada, sem paragens, a distância total ronda os 2,48 km.
A estimativa avançada pelos investigadores tem por base o cenário mais conservador, o da paragem, mas não rejeitam a hipótese de o jaguar ter nadado sem parar.
Seja qual for o trajeto seguido, este grande felídeo quebrou todos os registos cientificamente documentados de travessias a nado ininterruptas por jaguares, animais conhecidos por serem excelentes nadadores e por até caçarem caimões dentro de água, deitando por terra o velho adágio que diz que nenhum gato gosta de molhar-se.
Os cientistas argumentam, no artigo, que este caso mostra que grandes corpos de água, como reservatórios, não funcionam como “barreiras absolutas ao movimento de carnívoros”, podendo continuar a ser por eles atravessados, embora com grandes gastos adicionais de energia.









