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Lobo-Ibérico: o maior canídeo selvagem em Portugal

Foi em 1907 que o zoólogo espanhol Angel Cabrera descreveu pela primeira vez o lobo-ibérico, que se distinguia como subespécie do lobo-cinzento devido ao seu porte mais pequeno, coloração amarelo-acastanhada e focinho diferente.

Com a designação científica de Canis lupus signatus, esta espécie ocupava no início do século XX praticamente toda a Península Ibérica. Hoje em dia estima-se que existam pouco mais de 2200 exemplares, dos quais cerca de 300 no norte de Portugal, ocupando no nosso país apenas 20% da área de distribuição original, com dois núcleos populacionais separados pelo rio Douro.

A norte existe na quase totalidade dos distritos de Bragança e de Vila Real e em parte dos distritos do Porto, de Viana do Castelo e de Braga; a sul ocupa parte dos distritos de Aveiro, de Viseu e da Guarda. Podem ser encontrados em locais caracterizados por uma baixa densidade populacional humana e importante atividade agro-pecuária.

O Parque Nacional da Peneda-Gerês, o Parque Natural de Montesinho e o Parque Natural do Alvão, três núcleos lupinos, devido à sua estabilidade, são uma fonte regular de animais dispersantes, tendo por isso uma influência determinante na manutenção das alcateias que ocorrem nas regiões envolventes, caracterizadas por uma maior instabilidade.

O lobo é o maior canídeo selvagem vivo, sendo esta subespécie caracterizada por cabeça volumosa, de aspecto maciço, com orelhas rígidas e triangulares, curtas e pouco pontiagudas. Os olhos são frontalizados, oblíquos, em relação ao focinho, e cor de topázio. Socialmente vive em grupos familiares, as alcateias, constituídas normalmente por um casal reprodutor e pelos seus descendentes diretos. Estas alcateias são constituídas por cerca de 3 a 12 animais que ocupam um território definido (a dimensão, em Portugal, varia entre 150 e 300 km2), variando o efetivo da alcateia e a dimensão do seu território ao longo do ano.

Os lobos reproduzem-se uma vez por ano, nascendo as crias – em média cinco por ninhada – em abril/maio, após cerca de dois meses de gestação. As crias normalmente mantêm-se com os seus progenitores por 10 a 54 meses, dispersando da alcateia natal, com 1 a 2 anos de idade e durante o outono/ início do inverno e primavera.

Predador por natureza, o lobo-ibérico alimenta- se de animais herbívoros de médio e grande porte, que podem ir de javalis a ovelhas, cabras, vacas ou veados, o que muitas vezes é uma dor de cabeça para pastores e agricultores, que os tentam afugentar ou matar de forma a protegerem os seus animais. Segundo a UICN, o lobo apresenta a nível mundial, desde 1996, o estatuto de “Baixo Risco”, com indicação de dependente de conservação para a Península Ibérica.

Em Portugal, o lobo está protegido desde 1988, sendo proibido o seu abate ou captura e a destruição ou deterioração do seu habitat. Há mais de uma década que o lobo é classificado como “Em Perigo de Extinção” no Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. A nível europeu, o lobo é uma espécie prioritária para a conservação segundo a Diretiva Habitats.

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