Luís Hagatong: “A engenharia mecânica, civil e de ambiente estão cada vez mais relacionadas com a eficiência energética”

Na segunda parte da entrevista exclusiva ao Green Savers – leia a primeira –, Luís Hagatong revela parte da estratégia da Schneider Electric para os edifícios públicos e examina os principais problemas empresariais decorrentes da crise económica.

“As empresas não têm capital para investir, por isso há um grande atraso nas tomadas de decisões e execução de projectos”, explicou o director de eficiência energética da Schneider Electric.

Leia a parte final da entrevista.

Falando de edifícios públicos, os hospitais são verdadeiras bombas energéticas.

Sim, os hospitais são os terceiros grandes consumidores de energia em edifícios do Estado, a seguir às escolas – primárias, secundárias e outras –, os maiores consumidores energéticos, e aos institutos públicos, que estão em segundo lugar. É nas escolas que também existem as maiores dificuldades relacionadas com a sustentabilidade e há uma aposta grande do Estado.

Para além dos hospitais, estamos em conversações com outras entidades governamentais para criar projectos-piloto que os ajudem a demonstrar o retorno de investimento na eficiência energética.

Em relação aos edifícios: o investimento é maior, mas o ROI também.

Sim, sim, claro.

Estamos a falar de quantos anos?
Depende, uma vez mais, do detalhe da intervenção. Para fazer uma boa gestão não deveremos ir a todo o lado e tentar fazer logo tudo de uma vez. Para nós, a gestão energética é um ciclo. Quando chegamos ao fim, regressamos ao início. Estamos a fazer permanentemente melhorias às instalações, ponto por ponto.

É assim que deve ser gerida a eficiência energética. Com as poupanças alcançadas, podemos reinvestir em novas poupanças. Quando é possível, claro. Mas é essa a nossa filosofia.

Mas voltando aos hospitais…

Nos hospitais, e pensando numa integração dos nossos serviços, diria que o retorno ficará entre cinco ou seis anos.

O último Eurobarómetro publicado pela União Europeia revelou que as PME portuguesas eram as que mais medidas de eficiência energética tomavam, à frente de Espanha e Reino Unido. Concorda? As nossas PME tomam muitas medidas de eficiência energética?
Tomam algumas… não sei se à frente dos restantes 26 países da União Europeia, mas tomam algumas. O tecido empresarial português é muito feito à base de PME, pelo que podemos ver que, se fizermos alguma coisa, terá de ser com as PME. Mas ainda há muito a fazer nas PME, o parque de empresas é muito grande.

Acredito que elas já fazem bastante, há alguns exemplos de casos de PME que têm investido e implementado estratégias interessantes, algumas delas até inovadoras nos sistemas implementados.

Dado as nossas dificuldades e o respectivo corte de custos, as pessoas estão cada vez mais sensibilizadas para as questões da energia e da eficiência energética. Penso que os portugueses utilizam muito a tecnologia, gostam de inovações tecnológicas. Veja-se o caso dos telemóveis. Até por isso não me admiraria que este estudo tenha dados correctos.

Como está a correr o Energy University?

O Energy University é uma ferramenta muito interessante, sobretudo nestas épocas, em que os custos são controlados. É uma ferramenta gratuita, está disponível 24 horas por dia e tem uma outra vantagem do ponto de vista da eficiência energética e ambiental: não é preciso deslocarmos-nos para fazer os cursos, podemos fazê-los em nossa casa e quando nos apetece.

São também cursos modelares, para ir fazendo aos poucos. Cada curso demora uma hora a fazer, no máximo, e acima de tudo são revistos face às nossas tendências e tecnologias existentes no mercado.

Está também disponível em várias línguas e é certificado.

Quantas pessoas já participaram em Portugal?
Creio que há 500 utilizadores novos por ano. E cada utilizador não faz um único curso, passa para outros.

Que outros projectos têm no campo de educação energética?

É uma grande aposta da Schneider, fazemos formação a todos os colaboradores e parceiros – distribuidores, integradores. Assinámos também um acordo técnico com a Adene e temos desenvolvido, em parceria, cursos de gestão de energia. Quer para edifícios de serviços e indústria.

Uma das áreas a que o Green Savers dá grande relevo é a do emprego. A Schneider Electric está a contratar? Precisa de profissionais a curto e médio prazo?

Dentro das necessidades. Depende das alturas. Tendo a Schneider todas as valências dentro do mercado da eficiência energética, as necessidades estarão sempre relacionadas com o tema.

Estamos a falar de engenheiros?
Sendo a Schneider Electric uma empresa do ramo eléctrico, a nossa tendência é procurar sempre engenheiros electrotécnicos, mas diria que, cada vez mais, há necessidade de outras vertentes: engenharia mecânica, civil, de ambiente. Estas áreas estão cada vez mais relacionadas com a eficiência energética. Esta eventual necessidade poderá estar também relacionada com um projecto específico, apesar de recorrermos, por vezes, a parceiros.

Como está a empresa a sentir a crise económica?

Como qualquer empresa, a Schneider sente as dificuldades. Mas como temos várias áreas de negócio e nichos, umas coisas vão ajudando as outras. As empresas muito ligadas à construção civil poderão estar a sentir muito mais a crise que nós, mas também sentimos algumas dificuldades.

O que se sente mais é a questão de as empresas não terem um capital para investir. Por isso há um grande atraso nas tomadas de decisões e execução de projectos. Há também algumas empresas com dificuldades de pagamento. Felizmente a Schneider, como trabalha muito com parceiros e seguros de crédito, está aí salvaguardada, mas estas são as duas grandes questões do mercado.

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