Microalga portuguesa ajuda a combater inflamações e diabetes

Uma microalga cultivada em Portugal, e aprovada na Europa para fins de suplementação alimentar, pode ser uma nova aliada no combate à inflamação e à diabetes. Investigadores da Universidade de Aveiro, em parceria com o CIIMAR, o CBQF – Universidade Católica Portuguesa, o GreenCoLab e a Necton, uma das produtoras associadas da PROALGA, descobriram que a Dunaliella salina contém compostos que podem reduzir processos inflamatórios e controlar os níveis de açúcar no sangue, tornando-a uma forte candidata para a criação de suplementos nutricionais e alimentos funcionais (ver estudo em anexo).
O estudo foi realizado no âmbito do projeto Vertical Algas, que integra o Pacto da Bioeconomia Azul, um consórcio que reúne dezenas de empresas, universidades e centros de investigação dedicados ao setor das algas em Portugal.
Nos testes em laboratório, os cientistas verificaram que o extrato lipídico da Dunaliella salina consegue bloquear uma enzima chamada COX-2, que está associada à inflamação no corpo humano. Este extrato mostrou ter uma forte ação antioxidante, que pode ajudar também a combater os radicais livres que contribuem para o envelhecimento e para várias doenças.
Outro resultado promissor foi a capacidade de o extrato lipídico desta microalga inibir a enzima a-glucosidase, responsável pela digestão de açúcares: assim compostos deste extrato podem ter um potencial promissor para ajudar a reduzir os picos de açúcar no sangue depois das refeições, tornando a microalga uma potencial aliada no controlo da diabetes tipo 2.
“Os resultados mostram que a Dunaliella salina pode ter um impacto positivo na prevenção de doenças metabólicas, oferecendo uma abordagem natural para a regulação da inflamação e dos níveis de açúcar no sangue”, explica Rosário Domingues, investigadora e Professora da Universidade de Aveiro e coautora do estudo, citada em comunicado. “Este estudo reforça a importância das microalgas como fonte de compostos bioativos com aplicações inovadoras na nutrição e na saúde”.
Os investigadores destacam que as microalgas podem ser uma alternativa natural aos suplementos convencionais, como os de ómega-3, que atualmente vêm sobretudo do óleo de peixe. “Ao utilizarmos microalgas como fonte de nutrientes, estamos não só a oferecer uma solução mais sustentável, mas também a aproveitar os seus múltiplos benefícios para a saúde humana”, sublinha Rosário Domingues. “As suas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias abrem caminho para o desenvolvimento de novos produtos que podem melhorar a qualidade de vida das pessoas”.
A crescente procura por soluções mais saudáveis e ecológicas torna estas descobertas mais relevantes. “O uso de microalgas pode revolucionar a forma como encaramos a nutrição e a prevenção de doenças”, reforça Daniel Mendonça Silva, responsável de Comunicação e Negócio do GreenCoLab. O GreenCoLab e a PROALGA – Associação Portuguesa dos Produtores de Algas continuam a estudar novas aplicações das algas, promovendo soluções para a indústria e para os consumidores que procuram uma alimentação mais sustentável.
Os benefícios das algas para a saúde serão um dos temas em destaque no 1.º Congresso Internacional da Biotecnologia das Algas, que a PROALGA e o GreenCoLab irão realizar em Lisboa, de 9 a 11 de abril. O evento reunirá especialistas, investigadores e empresas para discutir os avanços científicos e as aplicações biotecnológicas das algas em diversos setores, como a alimentação, a cosmética e a sustentabilidade ambiental.
O Laboratório Colaborativo GreenCoLab junta, na Universidade do Algarve, investigação académica e empresas na exploração conjunta do potencial das macroalgas e das microalgas como componentes para as indústrias alimentar, das rações animais, dos suplementos alimentares, da bioenergia, das águas residuais e da cosmética.
Este estudo resulta da colaboração de várias entidades pertencentes ao projeto Vertical Algas, cujo objetivo é fortalecer o setor das algas, promovendo o desenvolvimento de novos produtos sustentáveis, otimizando processos tecnológicos e científicos e introduzindo serviços inovadores.