Moço de Recados: “Não é fácil ser empreendedor, mas o esforço tem compensado”

Em cima de uma vespa amarela, um homem percorre as estradas de Lisboa. Ora pára na farmácia, ora vai ao supermercado. Pode ser também visto a passear cães e menos ocasionalmente a conduzir carros. A descrição pode parecer de um qualquer habitante de Lisboa e dos seus afazeres quotidianos. Mas desengane-se este é o Moço de Recados.

Luís Campos é o mentor do Moço de Recados, projecto lançado no final de 2012. Luís, de 34 anos, licenciou-se em Marketing e Publicidade em 2002. Na última década trabalhou quase sempre como freelancer. Perante uma situação de desemprego decidiu concretizar um projecto que estava no papel desde 2007: criar um serviço profissional de estafeta e de recados.

A ideia para o negócio nasceu de acções simples. “Como tinha algum tempo livre, os meus amigos e familiares por vezes pediam-me para lhes fazer recados. Eles não tinham tempo e eu, como não gostava de estar parado, dava uma ajuda”. Foi assim que nasceu a ideia.

Além de transportar pequenas encomendas de uma ponta a outra de Lisboa, o Moço de Recados trata de todos os pequenos afazeres que necessita, seja passear os animais de estimação, levar os animais ao veterinário, ir às compras, ir à farmácia, levar o carro à inspecção. Tudo isto enquanto o cliente está no seu emprego, o que impossibilita a realização destas tarefas.

Um moço e uma moça que vendem tempo

Passados quase dois anos do lançamento do negócio, o Moço de Recados cresceu. Se no início o serviço era apenas prestado nos concelhos de Lisboa, agora já abrange os municípios limítrofes da capital, bem como a Península de Setúbal. Mas o grosso do serviço continua a ser no centro de Lisboa. E já não há apenas um Moço de Recados, mas sim um moço e uma moça, pois Luís conta agora com a ajuda de uma colaboradora, a Ana Figueiral, que se juntou ao projecto em Fevereiro deste ano. E já não trabalham em casa, mas sim num espaço próprio.

Luís Campos conta que o balanço é bastante positivo. “Nunca na vida me senti tão realizado. Têm sido tempos complicados pois um negócio requer muita dedicação. Não é fácil ser empreendedor, mas o esforço tem compensado”, afirma o Moço de Recados. “Um dos meus sonhos era poder ficar no meu país e de alguma forma contribuir com algo. Neste momento já somos duas pessoas no activo a fugir às estatísticas do desemprego e ainda por cima realizadas por fazerem algo que gostam”.

O crescimento também tem sido sustentado. “Além dos clientes habituais, temos uma média de 20 novos clientes a surgir todos os meses”, revela Luís. Mas ser moço de recados também tem os seus inconvenientes. “Temos uma grande barreira que é a cultural. Não estamos habituados a delegar algo a pessoas que não conhecemos. Aos poucos estamos a conseguir ultrapassar isto. Apostamos muito na criatividade para conseguirmos chamar a atenção das pessoas e levá-las à experimentação”, explica.

Pastéis de Belém entregues à porta

Além dos recados e serviço de estafeta, o Moço de Recados conta agora com várias parcerias. Uma delas é com os Pastéis de Belém. Assim, se viver em Lisboa pode ter os míticos pastéis entregues à porta sempre que quiser sem ter de se deslocar a Belém e esperar em filas. Mas o Moço de Recados conta ainda com outras parceiras, como com a Pastelaria do Restelo “O Careca”, que permite a entrega de croissants e palmiers. Ou ainda com o Sr. António, mestre de obras; com iClínica, para a reparação de smartphones, tablets e outros dispositivos multimédia; com a Oficina de Costura Criativa, que presta serviços de costura e com a Lili Cherry, uma flower designer.

“Todas as parcerias nos serviços são escolhidas criteriosamente, mediante a análise de determinados padrões. Somos nós que estamos a recomendar e se os clientes confiam em nós, também vão confiar nos nossos parceiros”, explica Luís.

O Moço de Recados é um projecto definitivamente para continuar, como afirma o seu mentor. Os objectivos futuros de Luís e Ana vão passar pelo estabelecimento de novas parcerias mas também do lançamento do Moço de Recados Oeiras. Contudo, o principal objectivo é levar o Moço de Recados até ao Porto, até ao final de 2014.

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