Os países do mundo não estão a agir suficientemente rápido para impedir que o aquecimento do planeta exceda os 1,5 graus Celsius até ao final do século.
O aviso é feito num relatório publicado esta semana por um conjunto de organizações sobre o estado a ação climática em 2025. De acordo com a análise, o ritmo e a escala dos progressos são “alarmantemente desadequados” e a comunidade internacional não está a agir ao ritmo necessário para “combater a crise climática e assegurar um futuro habitável”.
Da autoria da Bezos Earth Fund, da Climate Analytics, da ClimateWorkd Foundation, da Climate High-Level Champions e do World Resources Institute, o documento destaca que, dos 45 indicadores usados para medir o progresso da ação climática global, nenhum está a avançar suficientemente rápido para ser alcançado até 2030, em linha com os objetivos do Acordo Climático de Paris, de 2015.
Dos 45 indicadores, 35 não estão no caminho certo ou estão mesmo a desviar-se bastante dele, cinco estão até a ir na direção contrária e sobre outros cinco não há dados suficientes para fazer uma avaliação sobre o sei progresso.
Embora o relatório deste ano, comparando com o de 2023, apresente alguns sinais de melhoria, designadamente no crescimento do mercado dos carros elétricos a nível global (com desacelerações na Europa e nos Estados Unidos da América) no aumento do financiamento climático de fontes privadas, continua a haver problemas que persistem.
Segundo os relatores, o financiamento público aos combustíveis fósseis aumentou, em média, dos 75 mil milhões de dólares em 2014 para mais de 1,5 biliões de dólares em 2023. Além disso, a desflorestação, que no início da presente década estava em decréscimo, voltou, uma vez mais, a subir, e continua-se sem se conseguir acabar com o carvão como fonte de produção de eletricidade.
“Não estamos apenas a ficar para trás. Estamos efetivamente a reprovar nas disciplinas mais importantes”, alerta, em comunicado, Sophie Boehm, investigadora do World Resources Institute e segunda autora da análise.
“Como este relatório mostra, mal fizemos progressos na eliminação progressiva do carvão ou no fim da desflorestação, enquanto fundos públicos continuam a suportar os combustíveis fósseis”, lamenta, acrescentando que “estas ações não são opcionais, são o mínimo dos mínimos para se conseguir combater a crise climática e proteger a humanidade”.
Assim, e para ser possível alcançar as metas climáticas de Paris, o mundo tem de, até 2030, abandonar progressivamente o carvão a uma velocidade mais de 10 vezes superior ao que está a ser feito agora, reduzir a desflorestação nove vezes mais rapidamente, reduzir o consumo de carne cinco vezes mais rapidamente e aumentar o financiamento climático em quase um bilião de dólares por ano até ao final da década.
Num quadro que desilude, há, ainda assim, alguns pontos positivos. Além do aumento do financiamento climático privado, o relatório assinala, por exemplo, o crescimento global das energias solar e eólica, que mais do que triplicou desde 2015, e a subida do investimento em energias limpas, que ultrapassou o investimento em combustíveis fósseis pelo segundo ano consecutivo em 2024.
“Dez anos após o Acordo de Paris, os dados mostram os progressos que fizemos e o que ainda temos de fazer”, afirma Kelly Levin, da Bezos Earth Fund.
“É promissor que o investimento em energia limpa esteja agora acima dos combustíveis fósseis e que novas tecnologias estejam a ganhar força, prova de que o progresso é possível quando a ambição e o investimento se alinham. O desafio é ampliar esses sucessos e reverter os reveses.”









