Como estarão, em 2100, cidades como Lisboa, Rio de Janeiro ou Luanda? De acordo com um estudo tornado ontem público pelo Governo australiano, estas cidades poderão passar a sofrer cada vez mais inundações, à medida que o nível do mar vai subindo.
Assim, e de acordo com o primeiro relatório da Comissão Clima do Governo australiano, o nível do mar pode elevar-se em um metro no próximo século, devido ao aquecimento central, o que poderá multiplicar o número de inundações devastadoras nas regiões costeiras.
Recorde-se que a última década foi avaliada como a mais quente desde que há registos.
O documento foi escrito por uma equipa de investigadores e cientistas e baseou-se nos mais recentes dados globais sobre o aquecimento central e as emissões de gases causadores do efeito de estufa, o principal responsável pelo aumento das temperaturas.
“Creio que o aumento médio do nível do mar, em 2100 e comparado com 1990, será de 50 centímetros a um metro”, revelou Will Steffen, que coordena a comissão e escreveu o prefácio do relatório.
O relatório, como seria de esperar, coloca um grande ênfase nas cidades australianas. As regiões costeiras perto de Sydney e Melbourne, por exemplo, estão “altamente vulneráveis” ao aumento do nível do mar.
Em 2100, Sydney pode sofrer “eventos extremos” uma vez por mês (!!!!!), desde inundações a tempestades caóticas.
O relatório pretende também mudar o debate político que decorre, hoje, na Austrália, com os partidos divididos em relação à questão das alterações climáticas – o que acaba por dividir, também, os próprios australianos.
“Esta década é crítica. As decisões que tomarmos agora e até 2020 vão determinar a severidade das alterações climáticas”, revela o estudo. “Para minimizar o risco precisamos de descarbonizar a nossa economia e caminharmos na direcção das fontes de energia limpas até 2050. As emissões de CO2 deverão ter o seu pico nos próximos anos e depois decair fortemente”, concluíram os cientistas.
A Austrália é, entre os países desenvolvidos, o que mais polui per capital. Os 22 milhões de australianos são responsáveis por 1,5% de todas as emissões de gases com efeito de estufa do mundo.









