No encalço dos predadores: Usar ADN de pegadas para estudar ursos-polares, linces e leopardos-das-neves



Técnicas de análise de vestígios genéticos deixados por animais no seu ambiente natural são cada vez mais usadas para monitorizar populações de espécies que, tipicamente, são difíceis de estudar através de métodos mais diretos, como a observação e a captura e libertação.

Assim, este ADN ambiental, ou eADN, ajuda os cientistas a obterem informação genética que permite avaliar a condições dessas populações selvagens, mesmo que as não consigam ver com os seus próprios olhos, ou até mesmo com dispositivos de fotoarmadilhagem.

Um grupo de investigadores dos Estados Unidos da América e da Suécia, liderados pelo programa do Ártico da WWF e pelo centro de investigação MIX, criaram um novo método para extrair eADN das pegadas deixadas na neve por ursos-polares (Ursus maritimus), linces-euroasiáticos (Lynx lynx) e por leopardos-das-neves (Panthera uncia).

Num artigo publicado esta segunda-feira na revista ‘Frontiers in Conservation Science’, os cientistas revelam que a nova técnica desenvolvida permite isolar e sequenciar o material genético do animal acedendo ao ADN no próprio núcleo das células recolhidas das pegadas. E isso permitirá traçar o perfil genético de cada um dos indivíduos.

Até agora, a análise do ADN ambiental tem estado limitada ao estudo do material genético a partir de ADN mitocondrial, transmitido pelas progenitoras, que, segundo estes autores, dificulta o estudo à escala do indivíduo, bem como dinâmicas entre diferentes populações e até padrões de migração e outros tipos de comportamento. Mas com esta nova técnica, argumentam, tudo isso é possível.

As amostras de eADN foram recolhidas em pegadas deixadas na neve por ursos-polares no Alasca e por linces-euroasiáticos na Suécia, quer em cativeiro, quer em contexto selvagem. E as amostras do leopardo-das-neves foram recolhidas a um indivíduo que vive em cativeiro.

Embora a análise de ADN ambiental não seja tarefa fácil, pois, estando exposto aos elementos, arrisca a degradação, embora na neve esteja relativamente bem ‘crio-preservado’, os investigadores conseguiram, em laboratório depois de derreterem a neve, extrair ADN nuclear de 87,5% e de 59,1% das pegadas deixadas na neve, em contexto selvagem, por ursos-polares e por linces, respetivamente. E a nova técnica permitiu, por exemplo, identificar 12 ursos-polares diferentes.

Para conservar é preciso conhecer, mas algumas espécies de animais selvagens são difíceis de estudar, por serem bastante esquivas ou porque são muito territoriais, pelo que a sua captura para análises seria um grande desafio e poderia até ter efeitos nefastos nos indivíduos e na sua população. Por isso é que o eADN é cada vez mais visto como a abordagem de eleição para estudar populações selvagens com os menores impacto e perturbação possíveis.

“A pessoa que recolhe a amostra nunca precisa de ver ou ser vista pelo urso-polar”, explica Elisabeth Kruger, da WWF e coautora do artigo.

Assim, técnicas não invasivas de estudo são uma das ferramentas mais importantes do arsenal científico dos conservacionistas, sobretudo para espécies fugidias. “É particularmente desafiante, caro e moroso encontrar ursos-polares no Ártico, quanto mais contá-los e perceber como estão a lidar com as alterações climáticas,” afirma Melanie Lancaster, também da WWF e outra das autoras.

A nova abordagem surgiu de trabalhos desenvolvidos sobre os ursos-polares, tendo depois sido testada em linces-euroasiáticos e leopardos-das-neves, mas os investigadores acreditam que poderá ser aplicada na conservação e gestão de muitas outras espécies que vivem nos mundos nevados do nosso planeta.





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