Número global de transações relacionadas com questões ambientais, sociais e de governance cresce 60%



O mercado global de fusões e aquisições (M&A) caiu 13% em volume e 32% em valor face a 2021, com as condições macroeconómicas atuais a pôr fim à onda de aquisições que se seguiu ao alívio das restrições relativas à Covid19. No entanto, o relatório da BCG também revela que o número global de transações relacionadas com questões ambientais, sociais e de governance (ESG) aumentou 60%, de cerca de 5.700 em 2011 para um máximo histórico de aproximadamente 9.200 em 2021.

O mercado global de fusões e aquisições (M&A) arrefeceu face ao ritmo frenético de 2021, com as condições macroeconómicas atuais a pôr fim à onda de aquisições que se seguiu ao alívio das restrições relativas à Covid-19. Nos primeiros sete meses de 2022, as empresas anunciaram mais de 22.000
transações, com um valor total de 1,85 biliões de dólares – um nível de atividade de M&A mais em linha com as médias registadas em pré-pandemia do que com a do ano anterior -, de acordo com o relatório “The 2022 M&A Report” da Boston Consulting Group (BCG), realizado em colaboração com o professor Sönke Sievers, da Universidade de Paderborn.

Em comunicado, a BCG sublinha que o relatório conclui que o número global de transações relacionadas
com questões ambientais, sociais e de governance (ESG) aumentou 60%, de cerca de 5.700 em 2011 para um máximo histórico de aproximadamente 9.200 em 2021. O volume destes negócios enquanto parcela de toda a atividade de M&A aumentou de 12% em 2001 para 17% em 2011, e ainda mais em 2021 para 22%, o que sugere que “mais investidores estão a reconhecer o potencial de criação de valor destas
transações”.

Negócios verdes ganham tração

A análise da BCG revela uma “clara tendência ascendente” nos negócios relacionados com ESG ao longo da última década, tendo a aceleração sido mais forte em 2021, quando o volume de negócios deu um salto de 35% após dois anos mais suaves para uma atividade de M&A e transações de ESG mais amplas.

Embora as transações relacionadas com o ambiente (ou seja, “transações verdes”) representem apenas uma pequena fração de todas as transações de M&A, estas aumentaram nos últimos anos – subindo para 6% em 2021, depois de pairarem nos 5% entre 2011 e 2019. O aumento de 20% de 2019 a 2021 indica que as transações verdes estão a ganhar força enquanto alavanca estratégica para a transformação ambiental. As M&A verdes têm vindo a crescer particularmente rápido nas indústrias que estão na vanguarda da transição energética e nos mercados emergentes.

Nos últimos dez anos, a indústria da energia e dos serviços públicos teve a maior quota de M&A verdes, bem como o maior aumento, subindo de 20% em 2011 para quase 40% em 2021. A região com o maior nível de atividade de M&A verdes em 2021 foi o Médio Oriente, com mais de 10% das transações a estarem relacionados com o ambiente, após uma quota constante de cerca de 3% a 5% desde 2014. A região Ásia-Pacífico (especialmente a China) foi a segunda região mais ativa, com uma quota de transações verdes de aproximadamente 8% em 2021.

Será que os negócios verdes criam valor?

“À medida que os acordos verdes se tornam mais populares, vão ficando também mais caros”. Os preços médios de aquisição para estes negócios excederam a média global do mercado em aproximadamente 7% nos últimos três anos, com encargos de 20% a 30% em certas indústrias.

No entanto, o estudo da BCG revelou que, “apesar do excedente substancial que muitas vezes exigem, as transações verdes criam geralmente mais valor quando anunciados e durante os dois anos seguintes do que os que não o são”. Ao analisar períodos de três dias antes e depois do anúncio de um negócio, a BCG chegou à conclusão de que o retorno anormal cumulativo médio das transações relacionadas com o ambiente (1%) “é significativamente mais elevado do que o das transações não relacionadas com o tema (0,6%)”. O relatório também determinou que o retorno médio de dois anos de um shareholder de transações verdes (0,6%) excede o das transações não-verdes (0,4%).

“Os negócios verdes muitas vezes exigem um investimento extra substancial -podendo atingir os 20% a 30% em certas indústrias -, mas a nossa investigação mostra que, em muitos casos, o preço é justificado”, afirma Daniel Friedman, sócio da BCG e coautor do relatório. “Tanto a curto como a longo prazo, a mensagem é clara: as empresas que utilizam a abordagem certa para fazer negócios verdes
geram retornos mais elevados.”

O relatório pode ser consultado na íntegra aqui.



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