O que pode a sociedade civil fazer para garantir a sucesso da florestação?

Numa altura em que surgem muitos movimentos organizados de cidadãos que tentam efectuar a recolha de sementes e programar plantações, com o objectivo de contribuir para a recuperação da floresta autóctone nas áreas afectadas pelos incêndios, a associação ambiental ZERO acha importante fazer um conjunto de recomendações, por forma a contribuir para a sustentabilidade e sucesso destas iniciativas.

Aqui ficam dez recomendações desta associação com vista a sustentabilidade e sucesso destas iniciativas:

1- A recolha de sementes e produção de plantas, deve garantir o cumprimento da legislação em vigor. Existem 48 espécies florestais de certificação obrigatória (caso da azinheira, sobreiro ou o carvalho-alvarinho) que só podem ser colhidas em bosquetes e povoamentos certificados, de forma a garantir não só as características genéticas das futuras plantas, assim como diminuir o risco de alastramento de pragas, doenças e propagação de espécies exóticas. Antes de uma acção de recolha de sementes, deve ser consultado o ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas

2- Na recolha de sementes devem seguir-se as boas práticas de colheita e manuseamento, nomeadamente no que se refere à época para a recolha de cada uma das espécies, assim como ao seu acondicionamento e processamento.

3- Há que ter em atenção que as acções de arborização e rearborização devem cumprir a legislação em vigor, pelo que antes de programar uma acção de plantação há que obter informação junto do ICNF, dos Gabinetes Técnicos Florestais dos Municípios onde se pretende efectuar a intervenção, ou das Associações de Produtores Florestais dessa região.

4- É importante garantir que as plantas utilizadas são de origem nacional, e preferencialmente resultantes de sementes e estacaria recolhidas nas proximidades da área a intervir, garantindo que à partida são plantas mais adaptadas às condições de terreno e clima e com maior probabilidade de taxa de sucesso.

5- Garantir que na preparação do terreno, as intervenções são feitas segundo a curva de nível com o mínimo de mobilização do solo, de forma a prevenir problemas de erosão e consequente perda de solo nos períodos de maior pluviosidade.

6- Proceder à distribuição das plantas no terreno de uma forma o mais natural possível, utilizando várias espécies que possam resultar na criação de um bosque natural e diverso.

7- Garantir que nos anos seguintes à plantação haverá acções de substituição de árvores e arbustos que não sobreviveram (retancha), já que a mortalidade das plantas nos primeiros anos é muito elevada.

8- Sempre que possível, deve ser aproveitada a regeneração natural com acções de poda e condução de plantas, dado que o trabalho feito pela própria natureza é à partida uma garantia de sucesso das plantas que germinaram ou regeneraram naturalmente.

9- Prever a eventualidade de ser necessário proceder à rega das plantas nos períodos mais secos do ano, com vista a melhorar a taxa de sobrevivência das plantas instaladas no terreno.

10- Optar por acções de sementeira e/ou plantação em terrenos públicos e comunitários (Baldios), que garantam o acompanhamento e manutenção a médio prazo.

Foto: via Creative Commons 

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