Organizações exigem que EUA voltem a classificar os manatins como ‘espécie em perigo’



Um conjunto de organizações da sociedade civil estão a pedir ao governo dos Estados Unidos da América que volte a colocar os manatins sob o estatuto de ‘espécie em perigo’, depois de o terem perdido em março de 2017, no que consideram ter sido uma decisão “prematura”.

Numa mensagem dirigida à Secretária do Interior, Deb Haaland, e ao Serviço de Pesca e Vida Selvagem por ela tutelado, as organizações Center for Biological Diversity, a Harvard Animal Law & Policy Clinic, a Miami Waterkeeper e a Save the Manatee Club  alertam que, ao longo dos últimos cinco anos, o número de manatins têm sido reduzido “drasticamente”, especialmente devido à poluição, que provocou o aumento exponencial de algas que têm dizimado as ervas marinhas das quais os manatins dependem para se alimentarem.

Em 2021, devido à perda de fontes de alimento, morreram mais de 1.110 manatins da subespécie Trichechus manatus latirostris, cerca de 19% da população atlântica e 13% de todos os manatins que habitam na Florida. Este ano, até outubro terão morrido 726 manatins, sendo que os especialistas preveem que durante o inverno muitos mais sucumbirão devido à fome.

Ben Rankin, da Harvard Animal Law & Policy Clinic, destaca que os manatins “da Florida às Caraíbas enfrentam ameaças dramáticas”, como a perda de habitat, colisões com embarcações, poluição, alterações climáticas e a proliferação de algas tóxicas. Por isso, voltar a colocar essa espécie de mamífero marinho sob o estatuto de espécie em perigo ao abrigo da Lei norte-americana das Espécies Ameaçadas “é um primeiro passo essencial para conservar esta espécie onde quer que ela se encontre”.

As organizações criticam o governo norte-americano por, em 2017, ter reduzido a proteção federal aos manatins, que Ragan Whitlock, do Center for Biological Diversity, considera que foi uma decisão “sem fundamento científico”. Por isso, “o Serviço de Pesca e Vida Selvagem tem agora a oportunidade para corrigir o seu erro e proteger estes animais desesperadamente em perigo”.

Os peticionários apontam que “a poluição descontrolada”, através de descargas de sistemas de tratamentos de águas residuais, do escoamento de fertilizantes para rios e para o mar, estão a impulsionar a proliferação de algas que destroem as ervas marinhas das quais depende a alimentação dos manatins. E destacam que estudos alertam para a exposição crónica destes animais a herbicidas, como o glifosato.

De recordar que em 1973 os manatins receberam, pela primeira vez, o estatuto de espécie em perigo à luz da lei norte-americana, mas as organizações assinalam que as populações “nunca recuperaram verdadeiramente”.



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