As nossas cidades estão congestionadas. Andar de carro em Lisboa ou noutra grande cidade portuguesa é uma aventura capaz de esgotar a paciência a qualquer um. Há demasiados carros nas estradas e é preciso mudar de políticas. 

Quando olhamos para países como a Dinamarca e a Holanda vemos que há uma prevalência de pessoas nas estradas a usar a bicicleta como meio de transporte. Mas como o site Mobility Lab indica, isto não se deve ao facto de estes cidadãos odiarem carros e preferirem bicicletas, mas sim porque é fácil usar este meio de transporte. Os nórdicos usam a bicicleta pela mesma razão que os portugueses usam o carro: é mais fácil.

Mas esta facilidade não surgiu de repente. Foi algo construído ao longo de algumas décadas de planeamento urbano que deu primazia às pessoas e bicicletas em vez dos carros. Como resultado, um inquérito realizado em Copenhaga em 2017 indica que 53% das pessoas escolheu andar de bicicleta porque esta é a forma mais rápida de se descolar, enquanto 50% diz que é por ser fácil.

O Mobility Lab indica que em Amsterdão praticamente todas as ruas têm uma faixa para bicicletas, e como a maior parte dos serviços está apenas a três quilómetros de distância, é fácil ir de bicicleta. Caso as distâncias sejam maiores, os cidadãos podem sempre levar a sua bicicleta nos transportes públicos sem qualquer problema.

 

Planear a longo prazo

Estas são mudanças que levam tempo. Aliás, a cidade de Amsterdão dos anos ’60 do século passado era muito diferente da de hoje, e dava primazia aos carros e aos parques de estacionamento – tal como acontece, hoje, em Portugal. Mas um conjunto de situações levou à mudança das políticas de planeamento urbano, que em última análise deram origem à cidade tal como a conhecemos hoje. E talvez seja isso que falta no nosso país para que a bicicleta comece a ser encarada como um meio de transporte seguro e alternativo ao carro.

A Mubi, uma associação de ciclistas pela mobilidade urbana, indica que o sistema de partilha de bicicletas em Lisboa está a ganhar popularidade e que já há centenas de pessoas que usam a ciclovia entre o Saldanha e o Campo grande para se deslocar de bicicleta, quando há muito pouco tempo não havia ninguém.