Pacífico Norte tem maior área ardida nos dois últimos milénios

As alterações climáticas estão a aumentar há décadas os riscos de incêndios florestais no Pacífico Norte, que provocaram valores de área ardida nunca atingidos nos últimos dois milénios, explica um geofísico de Wyoming.

“As florestas subalpinas das Montanhas Rochosas, no oeste dos Estados Unidos, arderam mais nas últimas décadas do que alguma vez nos últimos 2.000 anos. E quando procuramos a mais direta explicação para esse fenómeno deparamo-nos com picos de calor que aumentaram de frequência nas últimas sete décadas”, disse à Lusa Brian Shuman, investigador do Departamento de Geologia e Geofísica da Universidade de Wyoming, quem tem estudado este tipo de fenómenos.

Para Shuman, os extremos de temperatura são, por sua vez, resultado de modificações climáticas que se acentuaram no planeta terra desde o século XX e que continuarão a provocar consequências danosas à Natureza, como os recentes incêndios no noroeste dos EUA e do Canadá.

Nas últimas semanas, mais de 180 incêndios na Colúmbia Britânica obrigaram à evacuação de numerosas localidades e destruíram centenas de hectares de florestas, prolongando uma vaga de incêndios que afetou toda a costa do Pacífico da América do Norte.

Os incêndios foram o resultado de uma inusitada vaga de calor que provocou 700 mortes no Canadá e 16 nos Estados Unidos, de acordo com os mais recentes números das autoridades dos dois países da América do Norte, que assinalaram o registo de temperaturas de quase 50 graus Celsius numa região de clima moderado no verão.

“Este não é um fenómeno único. Mas quando observamos os valores térmicos no Pacífico Norte percebemos que os picos de calor são cada vez mais frequentes e cada vez mais elevados”, disse Brian Shuman.

Este investigador diz que o mais preocupante é que, olhando para os registos de área ardida nos últimos milénios nesta região da América do Norte, se verifica uma acentuação que apenas pode ser explicada por fenómenos de alteração climática global.

Brian Shuman lembra, ainda assim, que estes valores elevados de temperatura na América do Norte não são caso único e recorda a existência de uma anomalia climática que ocorreu entre os séculos VIII e IX na região, onde as temperaturas eram semelhantes às que se verificaram no século XX.

Contudo, nunca nos últimos 2.000 anos, se registou um aumento de área ardida como aquele que se tem verificado nas últimas décadas, explicou o geofísico que dá aulas na Universidade de Wyoming, em Laramie, referindo que esse aumento é 22% superior aos verificados nos dois últimos milénios.

O investigador salienta um outro fenómeno que está por detrás dos severos incêndios que se têm verificado nos últimos anos na costa do Pacífico, em particular no estado da Califórnia: o aumento de temperatura acompanhado de valores extremamente baixos de humidade.

“Trata-se de valores de temperatura muito elevados e muito, muito secos”, salientou Shuman, referindo o impacto que estas condições térmicas tem na vegetação, tornando-a particularmente inflamável.

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