Para eliminar os “químicos eternos”, basta juntar uma pitada de sal

Um método para decompor substâncias perfluoroalquílicas e polifluoroalquílicas (PFAS), contaminantes ambientais conhecidos como “químicos eternos”, reciclando simultaneamente o flúor nelas contido, é apresentado num artigo da Nature. O processo poderá ajudar a resolver o problema da contaminação ambiental, ao mesmo tempo que recupera o flúor para o fabrico.
Os PFASs são produtos químicos produzidos pelo homem que têm sido frequentemente utilizados em têxteis, combate a incêndios, utensílios de cozinha e aplicações médicas desde a década de 1940. Estes químicos são difíceis de decompor e acumularam-se no ambiente, o que lhes valeu o nome de químicos eternos.
Embora existam alguns métodos para decompor os PFAS, estes resultam normalmente na produção de PFAS mais pequenos e de compostos voláteis contendo flúor que se perdem. A recuperação do flúor dos PFASs poderia ajudar a colmatar a lacuna na obtenção deste elemento a partir de minerais críticos.
Véronique Gouverneur e colegas apresentam um método para decompor os PFASs em compostos de flúor utilizando sais de fosfato de potássio. Os autores descobriram que a combinação de Teflon (um PFAS comum) com estes sais num frasco de aço e a agitação da mistura a uma frequência de 35 ciclos por segundo durante 3 horas levou à decomposição do PFAS.
Através de outros testes, os autores observaram que estas reações podem decompor diferentes tipos de PFAS utilizados em artigos de consumo. Os sais de fosfato utilizados no processo podem ser recuperados e reutilizados em reações subsequentes.
Os autores consideram que este método de decomposição dos PFAS pode ajudar a resolver questões ambientais e lacunas em determinados sectores da indústria transformadora, que podem debater-se com a falta de flúor, bem como contribuir para uma economia circular.