Pardelas-baleares voam cada vez mais para Norte para fugir ao calor



A pardela-balear (Puffinus mauretanicus) é a espécie mais ameaçada de ave marinha da Europa. Atualmente classificada com o estatuto de ‘Criticamente em Perigo’, as suas populações no continente têm vindo a diminuir, sobretudo, devido à mortalidade causada por capturas acidentais em artes de pesca.

Reproduzem-se nas Ilhas Baleares, no Mar Mediterrâneo, desde março e até inícios de julho, sendo que entre abril e setembro a maioria da população migra para Norte, passando os meses mais quentes do ano ao largo da costa atlântica de Espanha, França e Reino Unido.

Contudo, num artigo publicado na revista ‘PNAS’, uma equipa com mais de 20 investigadores desses três países revela que as pardelas-baleares estão a migrar cada vez mais Norte quando deixam os seus locais de nidificação no Mediterrâneo. Com base nos dados recolhidos ao longo da última década sobre os padrões de migração de indivíduos marcados com GPS, os cientistas estimam que, em média, essas aves estejam a deslocar-se 25 quilómetros para Norte todos os anos.

Os autores acreditam que essa mudança é provocada pelo aumento da temperatura superficial do mar junto aos locais de nidificação e revela que as aves são capazes de se adaptar às alterações das condições ambientais, fruto das alterações climáticas. Joe Wynn, da Universidade de Oxford e um dos principais autores do artigo, explica, em comunicado, que a flexibilidade que os indivíduos mostram para se adaptarem ao rápido avanço das alterações climáticas “é encorajador”.

Ainda assim, essa flexibilidade poderá ter um revés preocupante. Isto, porque quanto mais para Norte forem, maior será a distância que terão de percorrer para regressarem aos locais de nidificação.

A equipa descobriu que, para compensarem a maior distância que têm de percorrer para as Baleares, as pardelas aumentam a velocidade do voo de regresso, mas Tim Guilford, outro dos autores, explica que isso “apenas em parte compensa a distância extra e continuam a chegar tarde ao Mediterrâneo”, salientando que “não sabemos ainda como tais atrasos podem afetar o seu sucesso reprodutivo ou a sua sobrevivência”.

O facto de decidirem voar mais depressa quanto mais longe estão dos locais de nidificação sugere, segundo o artigo, que as pardelas são capazes, individualmente, de se recordar, de alguma forma, das rotas que percorreram anteriormente.

José Manuel Arcos, da Sociedade Espanhola de Ornitologia/Birdlife, que também assina o trabalho, aponta que, além de todas as ameaças que as pardelas-baleares enfrentam em terra e no mar, “o agravamento das alterações climáticas representa um desafio para uma espécie que nidifica num habitat tão restrito”.

E acrescenta: “os resultados deste estudo sugerem que a flexibilidade individual poderá ajudar com mudanças na distribuição causadas pelas alterações climáticas fora da época de reprodução, mas continua sem resposta a questão sobre que consequências as alterações climáticas têm sobre as aves durante a nidificação, quando os seus movimentos são limitados pela localização da colónia”.





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