Paulo Durão, o motorista que evitou um suicídio na ponte 25 de Abril

Quatro de Outubro de 2010. Paulo Durão conduz o seu autocarro de passageiros, na ponte 25 de Abril – sentido Almada/Lisboa – com destino à Praça de Espanha, como tantas vezes o tinha feito. São 10h45 mas, desta vez, algo chama a atenção do motorista.

“Reparei numa viatura imobilizada na faixa da direita”, explicou o motorista ao Green Savers. Então, Paulo viu uma pessoa “sair repentinamente do carro”. “Devia ter 35 anos e estava a cambalear para se atirar da ponte”.

“Faço várias vezes este percurso e tenho conhecimento que é um local comum de suicídios. Houve um sexto sentido que me alertou que algo se passava, devido à formação que tenho em INEM, CVP e Bombeiros”, explicou o motorista.

Então, Paulo parou o autocarro e correu em direcção ao indivíduo. “Ficámos os dois pendurados nas protecções laterais da ponte, e agarrados. Disse-lhe várias vezes que se ele se mandasse, cairíamos os dois à água”, explicou Paulo.

Homenagem pela Nobre Casa da Cidadania

O motorista, que foi recentemente um dos três homenageados pela Nobre Casa da Cidadania,  diz que nem todos os passageiros repararam no que se estava a passar, mas muitos o consideraram um herói. “Uns nem se aperceberam, outros estavam com pressa de ir para o trabalho, e outros chamaram-me herói, ao mesmo tempo que me aplaudiam”.

Depois de retirar o indivíduo das protecções laterais e de ver que este estava em segurança, Paulo contactou o 112, tendo chegado imediatamente ao local duas motos da polícia e uma ambulância do INEM.

Paulo deixa também alguns conselhos para lidar com a situação. “Há que pensar primeiro no motivo que nos leva a cometer tal acto. E pensar que a nossa vida vale mais do que tudo, que não deve estar nas nossas mãos parar o curso natural da vida”.

Sobre a Nobre Casa da Cidadania, Paulo Durão acredita que é sempre importante promover actos nobres. “Isto permite dar visibilidade a algo tão nobre como praticar boas práticas, ser amigo do próximo e conseguir ver além de nós o que se passa em nosso redor. É um modo de dar a conhecer à população”, explica.

“Há pequenos actos que estão ao nosso alcance e que podem mudar uma vida e um destino. Penso que, ao dignificarem estes actos, [algo] que para nós nada tem de tão especial mas, se necessário, os tornaríamos a praticar, permite-nos melhorar os valores da sociedade em que vivemos”, conclui o motorista.

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