“Peixes Nativos”: Torres Vedras reforça envolvimento no projeto de monitorização de espécies ameaçadas

Este projeto monitoriza anualmente as espécies ameaçadas de peixes de água doce autóctones em rios intermitentes do centro do país.

O projeto “Peixes Nativos” foi lançado em novembro de 2017,  e resulta de uma parceria estabelecida entre o ISPA – Instituto Universitário e a Águas do Tejo Atlântico, S.A., com o apoio institucional do MARE – Centro de Ciências do Mar e Ambiente, do Instituto para a Conservação da Natureza e Florestas, do Aquário Vasco da Gama e da Ciência Viva.

O seu objetivo principal é monitorizar anualmente, no final da época estival, espécies ameaçadas de peixes de água doce autóctones em rios intermitentes do centro do país.

Paralelamente, o projeto “Peixes Nativos” desenvolve ações de educação ambiental que consubstanciam a sua missão pedagógica, estabelecendo para esse efeito protocolos de parceria com os municípios localizados na sua área de implementação. Até agora aderiram ao “Peixes Nativos” os municípios de Torres Vedras, Mafra, Oeiras, Caldas da Rainha, Óbidos, Alenquer e Sintra, sendo que o Município de Torres Vedras associou-se ao projeto desde a sua fase-piloto.

De referir no que toca à monitorização científica deste projeto, a qual teve início em 2018, que a mesma abrange no concelho de Torres Vedras os rios Sizandro e Alcabrichel e relaciona-se com o trabalho de preservação do ruivaco-do-Oeste (Achondrostoma occidentale), uma espécie de peixe nativo que está “criticamente em perigo”.

Já no que se refere à missão pedagógica do projeto “Peixes Nativos”, que abrangeu, no concelho de Torres Vedras, as turmas do 4.º ano de escolaridade das escolas do 1.º ciclo do ensino básico de Ramalhal e de Runa e do Centro Educativo do Maxial (cerca de 125 alunos), é proposto aos alunos participantes serem “Biólogos por um dia”, acompanhando os técnicos do projeto a um rio próximo da sua escola, onde poderão envolver-se nas tarefas usuais de uma monitorização científica dos habitats fluviais e respetiva fauna piscícola.

Posteriormente, os alunos analisam os dados recolhidos na saída de campo e ficam encarregues de difundir a mensagem recebida às restantes turmas da respetiva escola. Também no âmbito do domínio pedagógico do projeto “Peixes Nativos”, os alunos envolvidos no mesmo são incumbidos de visitar periodicamente o curso de água próximo da escola com o kit “Peixes Nativos”, ficando responsáveis por reportar alguma situação anómala que detetem.

Dos trabalhos elaborados até agora pelos alunos do concelho de Torres Vedras no âmbito do projeto “Peixes Nativos”, refira-se alguns, como a elaboração de uma apresentação em modo informático, a execução de desenhos e cartazes, a observação ao microscópio de escamas recolhidas durante a saída de campo (para determinação aproximada da idade do respetivo peixe) e a produção de textos sobre a temática da poluição dos rios.

Também no âmbito do projeto “Peixes Nativos”, tiveram lugar outras ações no concelho de Torres Vedras, como palestras em escolas (dos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico e do ensino secundário), o workshop “Peixes de água doce nativos e qualidade das linhas de água do Oeste” (dirigido a técnicos e público em geral) e uma ação incluída no programa “Ciência Viva no Verão”. A este propósito, de referir que no seguimento de uma palestra realizada na Escola Básica 2,3 de São Gonçalo no âmbito do “Peixes Nativos”, um grupo de quatro alunas do 8.º ano de escolaridade deste estabelecimento de ensino elaborou uma reportagem sobre a espécie ruivaco-do-Oeste, a qual foi distinguida com o 1.º lugar no concurso “Embaixadores pela Biodiversidade – Reportagens EmBio”.

Refira-se ainda que o projeto “Peixes Nativos” está relacionado com a Estratégia Nacional para a Adaptação às Alterações Climáticas, a Estratégia Nacional de Educação Ambiental, a Estratégia Nacional de Conservação da Natureza e Biodiversidade, o Aquatic Animal Health Code e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.

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