Pesados e robustos, os gorilas também passam muito tempo nas árvores

Quando pensamos em primatas que passam parte das suas vidas nas árvores, a nossa mente tende a formar imagens de macacos ágeis e esguios e até de chimpanzés. Será pouco provável que o primeiro pensamento se detenha sobre os pesados e massivos gorilas.

Filipe Pimentel Rações

Quando pensamos em primatas que passam parte das suas vidas nas árvores, a nossa mente tende a formar imagens de macacos ágeis e esguios e até de chimpanzés. Será pouco provável que o primeiro pensamento se detenha sobre os pesados e massivos gorilas.

Contudo, uma investigação liderada pelo Instituto Max Planck para a Antropologia Evolutiva, publicada recentemente na revista ‘Current Biology’, vem mostrar-nos que até mesmo esses grandes animais passam grande parte do seu tempo empoleirados em ramos.

Os cientistas compararam os hábitos arborícolas dos gorilas-das-montanhas (Gorilla beringei beringei) da região de Virunga, na República Democrática do Congo, e dos gorilas-das-montanhas e gorilas-ocidentais (Gorilla gorilla) que vivem, respetivamente, no parque nacional de Bwindi (a poucos quilómetros de Virunga), no Uganda, e no parque nacional de Loango, no Gabão.

Embora os gorilas de Virunga sejam sobretudo terrestres, alimentando-se de vegetação que encontram no solo, os gorilas de Bwindi e de Loango, por outro lado, podem passar tanto tempo nas árvores como os chimpanzés, em busca de folhas e de frutos.

De acordo com a investigação, que teve por base a análise de observações feitas ao longo da última década, os gorilas de Virunga passam cerca de 98% do seu tempo no solo, ao passado que os de Bwindi e Loango podem passar, especialmente as fêmeas, entre 20% e 30% do seu tempo por entre os ramos das árvores. Os machos adultos, que podem pesar até 170 quilogramas, passavam entre 18% e 20% do seu tempo nas árvores, “o que é muito mais do que os 2% a 7% registados anteriormente para os gorilas-da-montanha de Virunga”, diz, em comunicado, Rhianna Drummond-Clarke, coautora do artigo.

Para a antropóloga, os resultados mostram que “os grandes corpos dos gorilas não são necessariamente um fator limitante para a subida às árvores e que os gorilas podem ser tão arborícolas como algumas populações de chimpanzés”.

Os investigadores foram também surpreendidos pelo facto de os gorilas não subirem às árvores somente para se alimentarem de frutos, como seria de esperar. Aliás, cerca de metade do consumo de frutos pelos gorilas de Loango era feito no solo, com frutos que caíam dos ramos mais acima. Na maior parte do tempo, os gorilas de Loango e de Bwindi estavam nas árvores para se alimentarem de folhas.

“O facto de alguns gorilas passarem grande parte do seu dia nas árvores e de o seu grande tamanho corporal não ser um obstáculo tem implicações importantes para a forma como interpretamos a anatomia dos gorilas”, explica Tracy Kivell, uma das principais autoras do estudo.

Além disso, refere que os resultados podem permitir novas interpretações de fósseis que possam ter morfologias semelhantes à dos gorilas, pois um corpo grande não significa que o animal seja exclusivamente ou predominantemente terrestre.

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