Pirocumulonimbo, a monstruosa tempestade que atingiu os EUA (e também já aconteceu em Portugal)

Este fenómeno é, na prática, uma enorme nuvem de fumo criada por um incêndio que sobe muito alto na atmosfera e que, ao encontrar uma zona fria, pode causar um downburst, além de relâmpagos e trovões que dão origem a outras ignições. “Um pirocumulonimbus é basicamente uma tempestade dentro da nuvem de fogo”, diz o professor Jason Sharples, especialista em incêndios da Universidade de Nova Gales do Sul, da Austrália.

Para as condições estarem reunidas é necessário uma grande quantidade de biomassa para arder, um teor de humidade muito baixo, ventos muito fortes e um terreno inclinado. Segundo a Agência Espacial Norte-Americana (NASA), esse tipo de nuvem, também chamada de cumulonimbus flammagenitus, é produzido “artificialmente” como resultado de uma fonte natural de calor, como um incêndio florestal ou um vulcão.

“O ar quente que sai do fogo pode levar vapor de água para a atmosfera e gerar nuvens. (…) Nesse caso, foi criado um cumulonimbo ou nuvem de tempestade”, aponta o texto.
A agência norte-americana acrescenta que este tipo de formação costuma ser a mais perigosa, pois, ao gerar uma nuvem de tempestade, os raios e os ventos que ela provoca podem fazer com que o fogo se espalhe ou ainda gerar novos focos de incêndios.

Segundo a TSF, pelo menos um dos incêndios de 15 de outubro de 2017 pode ter formado um fenómeno raro que até agora, na Europa, só tinha acontecido em Pedrógão Grande: um pirocumulonimbo, isto é, uma tempestade causada pelo próprio incêndio. Depois daquele 17 de Junho de 2017 [a maior tragédia de sempre num único incêndio florestal], ninguém queria acreditar que uma tragédia semelhante voltasse a acontecer. Mas ela repetiu-se logo na madrugada de 15 e 16 de Outubro, quando deflagraram cerca de 500 focos de incêndio e que lavraram quase sem controlo em sete concelhos da região Norte e em 32 na região centro.

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