Pólen de abelhas contém até 30 pesticidas

As abelhas podem conter no seu corpo cerca de 30 pesticidas e, apesar de uma parte ter origem na agricultura moderna, a sua maioria é proveniente de ambientes urbanos e domésticos como, por exemplo, pesticidas contra os mosquitos ou para controlar os parasitas de cães e de gatos.

Um estudo realizado pela Universidade de Purdue, estado do Indiana, Estados Unidos, identifica a presença de agentes químicos no pólen das abelhas de mel (apis millifera) de várias colmeias situadas em três campos diferentes na área, conhecida como ”cinturão de milho”, localizado na zona Oeste do país. Em primeiro lugar, os cientistas constataram que apesar de as abelhas se alimentarem em zonas de monocultivo continham pólen de 30 grandes famílias de plantas, muitas delas ornamentais. Em segundo, perceberam que o pólen continha uma quantidade e diversidade elevadas de agentes químicos, dos quais os mais abundantes eram fungicidas, herbicidas e insecticidas.

A surpresa dos resultados foi ainda maior considerando que os investigadores seleccionaram os objectos de estudo (as colmeias) inseridos nas três paisagens típicas do ambiente oeste: campo cultivado, campo de milho tratado com insecticidas convencionais e campo com sementes semeadas com um insecticida neonicotinóide. Insecticida baseado em nicotina e inócuo para os mamíferos mas que, segundo um número crescente de investigações, gera problemas para as abelhas. As abelhas de qualquer um dos tipos de ambientes referidos, apresentaram, na sua maioria, pólen colhido longe destes campos.

O estudo publicado na Nature Communications revela que a maioria da concentração de insecticida, incluída a da amostra de abelhas pertencentes ao campo de neonicotinóide, pertence à classe de insecticidas usado comummente para controlar as populações de mosquitos. Pelo que a pergunta que se coloca é que se um agricultor do Indiana estaria preocupado em eliminar os mosquitos que aparecem no Verão? Não, a realidade é outra. Segundo o co-autor do estudo, Christian Krupk, “os químicos agrícolas são apenas uma parte do problema. As habitações e as paisagens urbanas contribuem para esta situação, mesmo quando se tratam de colmeias que se encontram perto dos campos de cultivo”, pode ler-se no El País.

Foto: Dashing Red / Creative Commons

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