O Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, disse que o gás moçambicano deve ser explorado em benefício do país e da África Austral, considerando o ato um imperativo para o desenvolvimento da região.
“Moçambique é bem suportado com recursos hidrocarbóreos massivos na parte norte do país. E este gás moçambicano, este recurso natural dos moçambicanos, ele deve ser explorado para o bem dos moçambicanos e para o bem da região da África Austral, este é um imperativo”, disse o chefe de Estado sul-africano, durante a cerimónia de inauguração da nova Fábrica de Processamento Integrado (FPI) de gás doméstico, em Inhambane, no sul de Moçambique.
Para o Presidente da África do Sul, de visita a Moçambique, país vizinho, desde terça-feira, o acesso aos recursos hidrocarbóreos é importante para a diversificação do misto de energia, particularmente dos dois países, e o investimento conjunto na construção de infraestruturas e o alinhamento regulatório, considerando que a demanda regional é “vital” para atrair o investimento aberto e garantir a segurança energética para todos os países.
“Isto, nós acreditamos, pode ser feito. É uma sugestão valiosa e gostaríamos que os nossos ministros e as nossas empresas que olhassem e que sejam corajosos, não podem ser tímidos e não podem ser cobardes”, disse Cyril Ramphosa, reiterando que os dirigentes devem “olhar para o horizonte” e para a possibilidade de garantir que aquele gás seja transportado tanto para a África do Sul, como para outras regiões do continente.
A nova Fábrica de Processamento Integrado, que resulta do Acordo de Partilha de Produção (PSA) entre Moçambique e a petrolífera sul-africana Sasol, num investimento de mil milhões de dólares (866 milhões de euros), é, para Ramaphosa, um passo para que se alcance a estabilidade e cooperação regional no setor dos hidrocarbonetos.
“Esta nova instalação irá trazer gás, ela também irá trazer petróleo leve e gás de cozinha para mercados domésticos”, afirmou o chefe de Estado sul-africano, reiterando que a “contínua colaboração” irá guiar a transição energética da região, contribuindo também para a industrialização e a resiliência económica.
Já Daniel Chapo, Presidente moçambicano, disse, na ocasião, que Moçambique valoriza “profundamente” a parceria energética entre os dois países e o compromisso comum com a prosperidade partilhada da região da África Austral.
“Hoje mostramos diante dos nossos povos e do mundo que Moçambique e África do Sul não crescem separados – crescem juntos”, afirmou Chapo.
Para o chefe de Estado, a Primeira Unidade de Produção de Gás de Petróleo Liquefeito (GLP), conhecido como gás doméstico, é parte de um projeto “maior, integrado e transformador”, que continuará a desenvolver-se e a revolucionar a economia moçambicana e da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), nos próximos anos.
“Que esta infraestrutura seja o testemunho vivo da nossa determinação, do povo moçambicano e povo sul-africano, em construir uma região da SADC soberana, industrializada, próspera, com desenvolvimento inclusivo e sustentável para os nossos povos”, concluiu o Presidente de Moçambique.
O projeto de PSA preconiza a produção de 53 milhões de megajoules de gás natural por ano, que irá materializar a implementação da Central Térmica de Temane (CTT), e a produção de quatro mil barris de petróleo leve por dia, segundo dados do Governo moçambicano.
A CTT terá capacidade para produzir 450 megawatts de energia elétrica e a unidade de processamento 30 mil toneladas anuais de Gás de Petróleo Liquefeito (GPL).
A primeira pedra da unidade foi lançada em 2022 e o Governo moçambicano chegou a estimar anteriormente para 2024 o início da produção naquela unidade, adiado depois para março e mais tarde para novembro deste ano.









